O barrocoe o mineiro

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  • Publicado : 19 de julho de 2012
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A GRAÇA: DO PECADO À SALVAÇÃO!


A vida na graça é um tema polêmico dentro do Cristianismo. Trata-se da experiência fundamental da fé na qual assumimos a vida em Deus como a maior realização do humano. A Graça Divina é um projeto pela plenitude da pessoa, dentro de uma existência mais digna e uma vida mais amorizada, mediante os critérios da verdade. A vivência da graça muda a nossa relaçãocom o Divino e nos torna cada vez mais humanos. Ela é força motora que nos potencializa para enfrentar o cotidiano com dignidade, retidão e justiça.
Graça é uma palavra latina – gratia – e significa agrado. Em sua origem está a relação de pessoalidade com o Sagrado. Deus é reconhecido como Alguém próximo e não como uma realidade distante e aquém de nós. Diante da graça, o Mistério Divino torna-se ocompanheiro fiel do humano em um mundo cada vez mais desumano: um mundo esquecido de sua origem em Deus.
A graça nos faz assumir um novo modo de vida sob a ótica do amor. Dá-se um basta à tentativa de vitimar-se frente aos problemas, deixamos de lado o desejo infantil de sermos preferidos em tudo, acolhemos o dom da existência como manifestação biográfica do ser, perdoamos fatos dolorosos dopassado, minimizamos situações periféricas do cotidiano e evitamos a problematização de determinadas circunstâncias que outrora nos abalariam a vida.
A graça é conduzida pela fé e testemunhada pelas obras. Uma não existe sem a outra. A graça sem fé fica vazia de seu conteúdo fundamental. Já distante das obras, perde a autenticidade defronte o movimento de amizade em relação à obra da criação. Ajunção da fé com as obras é a síntese da graça.
Pela graça é possível perceber a presença do bem em nós e o modo como temos imprimido o mundo com as marcas de Deus. Diante dela a vida ganha um norte e a esperança passa a ter sentido. Justamente por isso, se faz necessário compreender que a graça não é uma produção do intelecto, não é uma justaposição de ideias e muito menos uma manifestação miraculosapara além da história. Pelo contrário, ela é antes, o comparecimento simples de um Absoluto em nós e para nós. A graça nos faz crer em um Deus que luta e combate em nosso favor. Ferir o humano é dilacerar o coração do Divino: as nossas mágoas, tristezas, as alegrias e esperanças, pela graça, tornam-se a mágoa, a tristeza, a alegria e esperança de Deus. Por meio dela a nossa história é resgatada etorna-se História de Salvação.
A inserção no Mistério de Deus vem através da graça. Não é uma fusão ou uma simbiose, como diria Freud, mas, sobretudo, a doação de um no Outro, o encontro da finitude com o Infinito, do temporal com o Eterno, da vida com a sua Origem. A graça gera a comunhão rompida pelo pecado. “Enquanto que o poder do pecado esfacela o ser da pessoa e, através dele, a finitude setorna algo trágico para a vida, na graça ocorre a resignificação dos conteúdos da vida. Sendo assim, viver a graça de Deus é, em si, um estado no qual a pessoa também é salva das contradições da vida e dela mesma, ao mesmo tempo em que sua teia de relações é restaurada de forma a lhe permitir se afirmar na existência de maneira sadia” (Afrânio Gonçalves Castro). Figuradamente, seria a religaçãoexistencial do nosso cordão umbilical com os céus. E aqui está o papel fundamental da religião: fazer com que o humano não se esqueça do seu caso de amor com Deus.
No limiar da graça está a reconciliação “do céu e da terra, de Deus e do homem, do tempo com a eternidade” (Leonardo Boff). Uma reconciliação cósmica e interior de ambas as vidas no amor pela gratuidade, em que a existência “não étragada pela eternidade, mas a eternidade é antecipada em cada minuto da vida” (Afrânio Gonçalves Castro).
Por fim não podemos enfatizar a graça como sonho utópico dentro de um mundo paradisíaco, sem problemas e totalmente resolvido. Precisamos sim, ressaltá-la como processo plenificador do humano, sabendo dos limites da história. Não somos salvadores da pátria, contudo, podemos nos tornar pessoas...
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