O artesanato e a arte, a constituição na sociedade tradicional e as representações diante das mudanças na sociedade contemporânea: artigo com referências aos trabalhos de ruth benedict e friedrich engels

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  • Publicado : 6 de maio de 2012
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1. Introdução
A Antropologia Cultural tem como ocupação o estudo da cultura humana nas diversas formas como se manifesta, seja na produção artística, nos hábitos, nas organizações ou na economia.
O artesanato é caracterizado como uma produção cultural milenar que se caracteriza pela confecção de objetos a partir de uma técnica manual. A produção artesanal é transmitida de geração para geraçãoe é produzido em série, apesar de não se caracterizar como uma produção industrial. O artesanato também pode ser descrito como uma "arte popular". Historicamente, a produção artesanal e o conceito do que é artístico ou não sofreram mudanças na sociedade.
O presente artigo tem como objetivo central contextualizar a arte e o artesanato, demonstrando que o valor social atribuído a essas obras éconstruído culturalmente e historicamente, além de fazer referências com trabalhos publicados por Franz Boas, Fredrich Engels e Ruth Benedict, dando maior ênfase nesses dois últimos.


2. Desenvolvimento
No livro Padrões de Cultura, a antropóloga Ruth Benedict expressa que os traços característicos de uma cultura não podem ser entendidos individualmente, mas englobados ao todo. Em suaperspectiva, os fenômenos culturais interagem com os fenômenos sociais, e vice-versa. Por isso, para analisarmos a produção artesanal é necessário conceituá-la a partir de um histórico.
A realização do livro A Origem da Família, do Estado e da Propriedade Privada, publicado por Engels em 1884, só foi possível graças aos dados empíricos coletados e as análises feitas pelo antropólogo Lewis Henry Morgan, emparticular as apresentadas no livro A Sociedade Antiga de 1877. Em seu livro, Morgan apresenta um estudo histórico sobre as sociedades a partir de uma pesquisa de campo realizada com os iroqueses, um grupo nativo norte-americano. Ele definiu três períodos do desenvolvimento evolutivo humano: a selvageria, a barbárie e a civilização. Morgan foi um antropólogo evolucionista, ou seja, seu livro foiescrito com a percepção de que todas as sociedades passariam obrigatoriamente pelos estágios descritos. A mudança de estágio ocorre graças a uma modificação na organização social ou graças a um novo hábito incorporado pelos nativos, dentre os quais podemos exemplificar com a produção artesanal.
Segundo Morgan, essa prática teve início entre a "fase superior" (o final) da selvageria e a "faseinferior" (o início) da barbárie. O arco e flecha já estavam presentes no final do estado selvagem, assim como utensílios de madeira, objetos feitos de cortiça e instrumento de pedra polida. Mas foi apenas no início da barbárie que se introduziu a cerâmica.
As idéias Morgan sobre a estrutura social e cultura material influenciaram o marxismo a ponto de fazer com que Engels realizasse umaprofundamento de sua análise. Em seu livro, Engels expõe o desenvolvimento da sociedade humana e da família, caracterizando-a em estágios. Seu trabalho demonstra que a humanidade se organizava em gens (ou seja, uma família consangüínea) antes da organização familiar. No livro, Engels também demonstra que o surgimento da família está intimamente ligado com o fim do comunismo primitivo, o surgimento dapropriedade privada e a instituição do Estado. Isso ocorreu porque a família monogâmica e a propriedade privada forçaram a criação de uma instituição reguladora.
Se a forma como a sociedade se organizava mudou radicalmente, como conseqüência, os hábitos e a cultura também se modificaram. Em meio as mudanças radicais descritas por Engels, é importante contextualizarmos a produção artesanal. Paraexemplificarmos, usaremos a instituição do Estado na antiga Atenas, que segundo o autor, se caracterizou pela divisão da população em privilegiados e não-privilegiados.
Em Atenas foi constituído um poder público central, que representava a classe social mais privilegiada, a dos nobres. Em seguida vinha os agricultores, e por último, os artesãos. O Estado cria critérios seletivos para o mercado de...
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