A realidade das delegacias

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  • Publicado : 12 de agosto de 2011
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A REALIDADE DAS DELEGACIAS

INTRODUÇÃO

No presente trabalho abordaremos o que é cifra negra, o que faz a surgir e alguns dados sobre a mesma, sendo tratado também o efeito negativo que causa no sistema judiciário, analisando os fatores pelos quais isso ocorre, levando em conta o que a sociedade vitima de crimes pensa quanto a isso e como contribui para a elevação da cifra negra.
Quemde nós nunca cometeu um delito? Isso nos faz pensar, o simples fato de pegarmos algo que não é nosso, ou até mesmo assinar a chamada para um colega que não esta, é um delito. Esses pequenos delitos não são relatados a policia, assim como muitos outras pequenas infrações e até mesmo médias e grande infrações são mantidas fora do conhecimento da polícia. No trabalho falaremos sobre crimes nãorelatados a polícia; crimes relatados, mas não registrados; crimes relatados, mas não investigados; crimes investigados mas, que não geram inquéritos; crimes cujos inquéritos são arquivados pelo ministério público; crimes que resultam em absolvição; crimes em que ocorre a condenação do réu com expedição de mandado de prisão, mas este não é cumprido.
Por meio de uma observação participativa e de umapesquisa bibliográfica, o presente trabalho abordará também uma das principais fontes de denuncias ou ao menos de alarme na delegacia de São Miguel do Oeste, a violência familiar, mais precisamente a mulher. Destacar-se-á os motivos pelos quais a levam as mulheres se calarem e se negarem a deixar a queixa registrada, e também os danos que essa violência pode causar nas mulheres, considerando também oque leva o homem violentar a esposa ou companheira. Percebendo desse modo que esse fato esta muito mais presente em nossa sociedade do que imaginamos, e que devemos refletir um pouco a respeito.

A CIFRA NEGRA

A partir de meados do nosso século, algumas pesquisas lograram evidenciar a existência de discrepância entre o número de crimes constantes das estatísticas oficiais e a realidadeescondida por trás dele. Observou-se que, embora os índices de ordem formal indiquem existir uma considerável quantidade de infrações, o total dos delitos de fato praticados supera-os largamente. Apenas uma reduzida minoria das violações à lei criminal chega à luz do conhecimento público. À brecha constatada entre os crimes cometidos e os registrados denominou-se “cifra negra da criminalidade”,expressão que logo se firmou, enquanto representava fenômeno muito comum (Thompson, 1998, p.3).
Sendo denominada por Costa (2008) cifra negra, como a diferença entre o numero de crimes efetivamente praticados e o numero daqueles de que os órgãos do sistema penal tomam conhecimento e que fazem parte das estatísticas oficiais.
A descoberta da cifra negra veio demonstrar que, ao reverso do que o sensocomum toma como verdadeiro axioma, apenas a minoria dos indivíduos que infringiu a lei penal são reconhecidos como criminosos pela ordem formal e, mais ainda, que tão-somente uma reduzida minoria dessa minoria se encontra recolhida às penitenciárias. Logo, pesquisar essas minorias e daí tirar ilações quanto ao todo significa trabalhar com exceções, em desprezo à generalidade (Thompson, 1998). Dessemodo, podemos perceber que a população carcerária representa parcela irrelevante quanto ao universo dos criminosos, se achamos que as prisões estão lotadas e que o número de criminosos é grande, levaríamos um grande susto se todos os crimes e delitos cometidos fossem desvendados e todos os praticantes presos ai sim nos assustaríamos com a grande leva de pessoas que estariam envolvidas, sendoessas pobres, ricas e de classe média, e de ambos sexos e de variada idade, quem sabe assim, o perfil de um presidiário seria diferente, afinal de contas a população analisada seria a total e não uma minoria.
Para Costa (2008) a cifra negra decorre de inúmeros fatores que vão desde o desinteresse da vítima, decorrentes da circunstância de que não acredita que o sistema repressivo funcionará e...
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