A pedagogia de projetos de aprendizagem

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  • Publicado : 13 de outubro de 2011
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A Pedagogia de Projetos de Aprendizagem
 
Um grande educador, Antonio Carlos Rodrigues de Moraes, hoje assessor da Secretária de Educação do município de Campinas, disse uma vez que educação é o processo pelo qual nos tornamos capazes de viver os próprios sonhos – e que o bom mestre é, portanto, um pastor de sonhos...
Essa é uma formulação bastante poética do conceito de educação, mas não éuma formulação inadequada.
Mais técnica e menos poeticamente, educação, em seu sentido mais amplo, é o processo mediante o qual as pessoas desenvolvem as competências necessárias para viver vidas autônomas, produtivas e responsáveis, tanto no plano individual (privado) como no social (público).
Notem bem: educar é desenvolver as competências que tornam uma pessoa capaz de viver uma vida autônoma,produtiva e responsável.
Sempre se soube que é possível que uns ajudem os outros a se educarem.
Os pais, os primeiros educadores, sabem disso. Às vezes vão além além e, em vez de ajudar os seus filhos a se educarem, imaginam que podem, eles próprios, educar os seus filhos... com resultados nem sempre desejáveis.
A escola é construída no princípio de que é possível que uns ajudem os outros a seeducarem. Mas também ela freqüentemente tenta ir além e reivindica para si um pretenso direito de educar os outros...
“Ninguém educa ninguém”, nos lembra o mestre Paulo Freire numa bela página de Pedagogia do Oprimido [Paulo Freire, Pedagogia do Oprimido, Editora Paz e Terra, Rio de Janeiro, RJ, 6ª edição, 1979, p.79]. Se ele parasse aí, não haveria por que termos escolas. Mas ele continua: mas“ninguém se educa a si mesmo”.
Mas como pode se dar a educação, se ninguém educa ninguém e ninguém se educa a si mesmo? A resposta de Paulo Freire é clara e difícil de contestar: “os homens se educam em comunhão, mediatizados pelo mundo”. Em outras palavras: ninguém educa ninguém – mas ninguém se educa sozinho...
O ser humano se educa quando ele se põe em contato, em diálogo, “em comunhão” comoutros seres humanos, e, juntos, refletem sobre os seus sonhos e a realidade, freqüentemente dura, que precisarão transformar para que seus sonhos possam se tornar realidade.
Para que haja educação é necessário que nos tornemos capazes de viver nossos próprios sonhos – não os sonhos dos outros.
Para que vivamos nossos próprios sonhos é preciso, em primeiro lugar, (re)aprender a sonhar – ou nãodeixar que a realidade, por vezes dura, nos leve a desaprender a arte de sonhar. Mas é preciso, em segundo lugar, aprender como transformar um sonho em realidade. Nossos sonhos não vão se transformar em realidade apenas porque os sonhamos. Somos nós que temos de transformá-los em realidade. “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer” – quem nos lembra disso é Geraldo Vandré, que teve alguns lindossonhos, mas não pôde torná-los realidade.
Pastorear sonhos, que, segundo Antonio Carlos Rodrigues de Moraes, é a missão do educador, não é dar “sonhos prontos”, empacotados, às pessoas – procurando, assim fazer com que elas eventualmente realizem sonhos sonhados por terceiros. Educar, ou pastorear sonhos, é ajudar as pessoas, primeiro, a sonhar seus próprios sonhos – a construir seus própriosprojetos de vida – e, segundo, a encontrar as melhores maneiras de transformá-los em realidade.
Às vezes educadores criticam o cinema e a televisão (neste caso, especialmente as novelas e a publicidade), porque o cinema e a televisão estariam tentando dar “sonhos prontos”, empacotados, para quem assiste aos seus filmes e programas – especialmente para as crianças e os jovens, que seriam extremamentesensíveis a essa “venda de sonhos”. Não seria à toa que Hollywood já foi chamada de “fábrica de sonhos”.
Mas os educadores muitas vezes se esquecem de que a escola, também, muitas vezes não ajuda as crianças, adolescentes e jovens a viver SEUS PRÓPRIOS sonhos.
Na verdade, fala-se muito pouco em sonhos na escola. Mas talvez isto se dê porque estejamos, na escola, muito mais preocupados em...
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