A ordem do discurso

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  • Publicado : 15 de setembro de 2015
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Foucault começa “A ordem do discurso” falando sobre a dificuldade que há em se iniciar qualquer tipo de discurso, que há um desejo de haver uma voz para iniciar esse discurso e que quem se pronuncie tenha apenas a função de dar continuidade ou desaparecimento ao que já foi iniciado por essa “voz”. Por isso, ele afirma que a sociedade, como forma de resposta a esse anseio ou receio de se iniciarqualquer tipo de discurso, cria solenidades em torno dos começos, “cerca-os de atenção de silêncio, e lhes impõe formas ritualizadas” (FOUCAULT, 2009, p. 7). Em oposição a isso, há o desejo de quem fala em não ter que iniciar, em não se sujeitar ao risco que a ação de discursar carrega consigo. Tanto o desejo quanto a resposta da sociedade mostram, implicitamente, a carga que um discurso traz: ade mostrar todo o contexto cultural, social, os problemas, as relações de poder que se fazem explícita e implicitamente, além da sua realidade material, isto é, uma “existência transitória”, algo de muito valor destinado a se dissipar de alguma maneira em algum momento.
Então, Michel Foucault cita e explora com detalhes os procedimentos externos de exclusão do discurso. O primeiro procedimento éa interdição, isto é, alguns assuntos não podem ser ditos a qualquer momento, por qualquer pessoa. Como o autor bem define “tabu do objeto, ritual da circunstância, direito privilegiado ou exclusivo do sujeito que fala” (FOUCAULT, 2009, p. 9), não é qualquer pessoa que se pronuncia em qualquer momento sobre qualquer assunto. Dois exemplos que ele dá sobre assuntos delicados na sociedade sãosexualidade e política e, de maneira a acrescentar nessa exemplificação, a meu ver, religião se encaixa nessa classificação também. O discurso, mesmo que aparentemente seja curto, traz consigo muito, e as interdições envolvidas mostram a ligação com o poder e com o desejo: o discurso passa a ser objeto de desejo, a partir do momento que é visto como objeto de poder. O segundo princípio de exclusãoproposto por Foucault é o da separação e o da rejeição. Para esclarecer esse princípio, o autor cita a oposição razão x loucura e como, desde a Idade Média, o discurso do louco é separado dos demais: ou era ignorado, ou era visto como detentor de poderes distintos, capaz de dizer o futuro, por exemplo. De qualquer forma, não era aceito pelo restante da sociedade como um discurso comum. Além disso,afirma que hoje há quem diga que essa separação não existe mais, e se opõe a essa idéia, dizendo que a separação existe, mas acontece de outra maneira, por meio do médico, do psicanalista; novas instituições exercem essa função. Por último, ele afirma como sistema de exclusão a vontade de verdade e usa, como comprovação para que esse sistema realmente exista, as mudanças ocorridas ao longo daHistória, como a perda de credibilidade do sofista. Foucault afirma que a vontade de verdade depende de instituições: para que a ciência avance e se mostre como uma nova forma de vontade de verdade é necessário estudo para as novas descobertas. Esse estudo depende de livros, das bibliotecas, das disciplinas, por exemplo. O autor diz também que os dois primeiros princípios de exclusão tornam-se cada vezmais frágeis, visto que o terceiro (a vontade de verdade) passa a permeá-los. A vontade de verdade age profundamente, mas é ela que menos se percebe, já que está invisível, mascarada.
Em seguida, ele aponta os procedimentos internos de limitação e controle do discurso. O primeiro deles é o comentário. Há os discursos do dia-a-dia, que somem com a mesma rapidez com que surgiram, e os discursos quesão ditos, ditos novamente quantas vezes for. Exemplo destes são os textos religiosos, as leis, os textos literários. Um mesmo discurso abre diferentes novos discursos, que podem ser ou não distintos. O comentário diz com outras palavras o que estava já dito no texto primeiro. Como Foucault definiu muito bem: “Deve, conforme um paradoxo que ele desloca sempre, mas ao qual não escapa nunca, dizer...
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