a ordem do discurso

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Bagno, Marcos. A língua de Eulália: novela sociolinguística. 15. Ed. — São Paulo: Contexto, 2006.
RESUMO
Marcos Bagno é professor da Universidade de Brasília (UnB) e pesquisador associado do Instituto da Língua Galega, da Universidade de Santiago de Compostela. Escritor, poeta e tradutor, se dedica à pesquisa e à ação no campo da educação linguística, com interesse particular no impacto dasociolinguística sobre o ensino. Colabora em diversos meios de comunicação. Tem diversos livros publicados, entre os quais se destacam A língua de Eulália – novela sociolinguística; Preconceito linguístico. – o que é, como se faz; Português ou brasileiro? Um convite à pesquisa; Língua materna – letramento, variação e ensino; A norma oculta – língua & poder na sociedade brasileira. Emília, Vera eSílvia e são universitárias e professoras de uma escola pública que vão passar as férias no interior de São Paulo, na casa de Irene, tia de Vera, que é uma linguista. Logo que chegaram as universitárias criticam o português falado por Eulália, que é a empregada da casa e amiga de Irene. A partir disso, Irene resolve explicar questões linguísticas a elas e esclarece, através de aulas, que o preconceitolinguístico não tem fundamentação, pois a história da Língua Portuguesa passou por várias fases e cada uma delas explica o uso dessas multiplicidades lingüísticas. Para dar nome a uma língua seria necessário levar em consideração as múltiplas variáveis que envolvem o ser que fala como: cor, sexo, nível social, grau de instrução, etc. Toda língua, além de variar geograficamente, no espaço, tambémmuda com o tempo, ou seja, toda língua muda e varia. Quer dizer, muda com o tempo e varia no espaço. A mudança ao longo do tempo se chama mudança diacrônica. A variação geográfica se chama variação diatópica. A norma padrão (PP) é aquele modelo ideal de língua que deve ser usado pelas autoridades, pelos órgãos oficiais, pelas pessoas cultas, pelos escritores e jornalistas, aquele que deve serensinado e aprendido na escola.
CAPITULO I: A CHEGADA
“Vera tem 21 anos, é estudante de Letras. Sílvia, da mesma idade, estuda Psicologia. Emília, 19, está no primeiro ano de Pedagogia. As três são professoras do curso primário no mesmo colégio de São Paulo.” (p.09)
Quando a Eulália foi trabalhar com a tia Irene, ela não sabia ler nem escrever. Minha tia não quis saber daquilo: disse que nunca iaadmitir na casa dela uma pessoa analfabeta. Começou a dar aulas à noite para a Eulália. A Eulália foi trazendo algumas conhecidas, estas foram trazendo mais gente, e quando minha tia viu estava dando aula para umas vinte pessoas, todas adultas, a maioria mulheres que trabalhavam nas casas do bairro onde ela mora. Imaginem que ela trabalhava na universidade o dia todo e quando chegava ainda tinha dedar aula à noite. Depois que se aposentou, ficou mais fácil. Mas agora estão todos de férias, porque afinal ninguém é de ferro. (p.11)
CAPITULO II: QUEM RI DO QUÊ?
[...] a Eulália é um poço sem fundo de conhecimento e sabedoria. Todo dia aprendo uma coisa nova com ela. Só de remédios caseiros, feitos com ervas medicinais, dava para encher uma enciclopédia. E como conselheira para momentos deangústia e depressão não conheço melhor psicólogo do que ela. (p.13)
“— A fala da Eulália não é errada: é diferente. É o português de uma classe social diferente da nossa, só isso — explica Irene.” (p.15)
CAPITULO III: QUE LÍNGUA É ESSA?
[...] no Brasil não se fala uma só língua. Existem mais de duzentas línguas ainda faladas em diversos pontos do país pelos sobreviventes das antigas naçõesindígenas. Além disso, muitas comunidades de imigrantes estrangeiros mantêm viva a língua de seus ancestrais: coreanos, japoneses, alemães, italianos etc. (p.18)
[...] toda língua, além de variar geograficamente, no espaço, também muda com o tempo. A língua que falamos hoje no Brasil é diferente da que era falada aqui mesmo no início da colonização, e também é diferente da língua que será falada...
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