A “morte do leiteiro” ignaro

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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS
Departamento de Letras Modernas
Disciplina: FLM 0661 - Abordagens Críticas e o Ensino da Literatura







A “morte do leiteiro” ignaro:
algumas relações sociais sob a ótica drummondiana

Uma leitura do poema “Morte do Leiteiro” (1945)
de Carlos Drummond de Andrade










Prof. Dr.: DanielPuglia
Aluna: Luana Cristina Biondo Nº USP: 5933299 (noturno)






Dezembro / 2011

Caro professor Daniel,

Este trabalho que lhe apresento agora foi inicialmente confeccionado para a disciplina Literatura Brasileira I, ministrada pelo prof. Dr. Alcides Villaça. Contudo, ao decidir seguir sua sugestão de aproveitamento de algum trabalho já produzido em algum momento da “caminhadapelas Letras”, eu não imaginava o quão crítica eu poderia ser um trabalho de própria autoria, visto depois de pelo menos três anos!
Por isso, considero necessário ressaltar que este trabalho, que se ocupa da análise de um poema da fase marxista de Carlos Drummond de Andrade – “Morte do Leiteiro”, publicado em 1945 –, inicialmente composto mais de descrições, do que propriamente de leituraspossíveis, foi, dentro das minhas possibilidades, após a cursada de sua disciplina, sensivelmente enriquecido – a começar pela própria terminologia inerente à teoria aqui abordada e pelos significados que elas comportam.
De um modo geral e semelhante à forma como sintetizo na conclusão da análise, procurei explorar o poema pelo viés da massificação do trabalho, como quesito sine qua non parasustentação das bases do sistema capitalista, aqui incorporada no personagem leiteiro sem que o próprio tenha consciência de sua condição.
Espero não ter cometidos grandes equívocos nas percepções das relações sociais que o poema me provocou, tanto nas primeiras, naquelas lá do longínquo 2º ano de faculdade, quando ainda não se tem muito definido qual o rumo tomar dentro do próprio curso, comonas de agora, no 5º ano, quando encerro ao menos esta primeira etapa da graduação, o bacharelado, feliz com as escolhas que direcionaram a minha trajetória nas Letras.
No mais, só me resta dizer que, apesar de ter escolhido esta disciplina da Licenciatura mais por acaso do que intencionalmente (o senhor sabe exatamente como é um suplício montar uma grade, em todo o início de semestre, em quecaiba tudo o que se precisa cursar!), foi um prazer inenarrável tomar contato com tantos modos possíveis de se ler o mundo.
Obrigada pelo incentivo constante à crítica consciente!
Um forte abraço,
Luana Biondo
Graduanda em Letras com habilitações
em Português e Espanhol


Morte do leiteiro


A Cyro NovaesHá pouco leite no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há muita sede no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há no país uma legenda,
que ladrão se mata com tiro.



Então o moço que é leiteiro
de madrugada com sua latasai correndo e distribuindo
leite bom para gente ruim.
Sua lata, suas garrafas
e seus sapatos de borracha
vão dizendo aos homens no sono
que alguém acordou cedinho
e veio do último subúrbio
trazer o leite mais frioe mais alvo da melhor vaca
para todos criarem força
na luta brava da cidade.




Na mão a garrafa branca
não tem tempo de dizer
as coisas que lhe atribuo
nem o moço leiteiro ignaro,
morador na Rua Namur,...
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