A moralidade em rousseau e kant.

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  • Publicado : 14 de junho de 2011
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A moralidade em Rousseau e Kant: uma visão a partir de Itinerários de Antígona

1. INTRODUÇÃO
  Em seu livro “Itinerários de Antígona”, FREITAG (1992), pretende buscar em três principais disciplinas das ciências humanas (sociologia, filosofia, psicologia) a base para responder à pergunta aparentemente simples, mas que traz à tona inúmeras outras, envolvendo, assim, a questão da moralidade:“como devo agir?”.
À medida que a moral traz uma situação de ação do sujeito inteirando com a sociedade, é de interesse da sociologia; enquanto análise individual e coletiva do julgamento de certo e errado, justo e injusto, bem e mal, é de interesse da filosofia; como estudo dos motivos pelos quais os indivíduos são levados a agir de certa forma, diz respeito à psicologia.
Porém, a autora tambémdeixa claro que essa questão não pode ser enfocada por apenas uma dessas disciplinas, sob pena de não responder a todas as perguntas com que nos deparamos no decorrer do estudo da moral. Ela ainda fala que, obviamente, a ação moral pressupõe um sujeito livre para agir de acordo com certos princípios, mas principalmente tendo consciência das consequências dos seus atos e sendo responsável por eles.O título do livro deve-se à abordagem que é dada à peça de Sófocles, segundo a questão da moralidade, envolvendo pensadores das três disciplinas. No princípio da obra, FREITAG (1992), trata das teorias da moralidade entre os filósofos gregos, trazendo à tona o mito de Antígona, nos contando a peça de Sófocles, segundo uma análise do conflito moral existente nela. No decorrer de seu livro, emcada tópico, a autora procura relacionar os conflitos morais por que passam as personagens da peça Antígona, com as idéias dos próprios pensadores dos três enfoques propostos.
Então, nesse livro, FREITAG (1992), trata da questão da moralidade segundo o aspecto da herança filosófica da ilustração, da teoria sociológica crítica e da psicologia genética.
Para o presente estudo, pretendo ater-mesobretudo nas teorias da moralidade de Rousseau e Kant, começando por um breve histórico do pensamento moral iluminista, movimento o qual ambos os filósofos pertenceram. Logo analisarei a teoria de Rousseau, sua influência sobre Kant, a teoria moral de Kant, fechando com a analogia, feita por Bárbara Freitag, dos pensamentos filósofico-morais dos dois filósofos, à peça que deu nome ao seu livro,“Antígona”.

1.      A MORALIDADE NA ILUSTRAÇÃO
O Iluminismo, surgido no século XVIII, caracterizou-se por uma brusca mudança das idéias. Ele trouxe a revolta contra as autoridades, contra o autoritarismo, contra o poder da Igreja. Foi marcado pelo racionalismo, a crença inabalável na razão humana. Para os iluministas, sua tarefa era a de criar um alicerce para a moral, a ética, a religião, queestivesse em sintonia com a razão imutável do homem. Esse período na Europa era marcado pela superstição e incerteza e os iluministas teriam a tarefa de “iluminar” a população, criando, assim, a Enciclopédia e a pedagogia. Acreditavam ainda que, quando conhecimento e razão se estivessem difundido, a humanidade faria grandes progressos. Além disso, pregavam o retorno à natureza, principalmente nateoria de Rousseau, ou seja, todo o mal estaria na sociedade civilizada, já que o homem seria bom por natureza. Criaram ainda o cristianismo humanista, que seria a religião natural, uma religião em consonância com a “razão natural” do homem (GAARDER, 1995).
O pensamento iluminista culminou com a Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão, que pregava os direitos naturais do cidadão, ouseja, para se ter esses direitos basta nascer como ser humano. Consistiu basicamente na luta contra a censura, pelo direito à liberdade de pensamento, contra a escravidão e para a inviolabilidade do indivíduo.
Então as três principais características das teorias morais iluministas foram o racionalismo, a existência de uma lei interior inata e a igualdade entre os seres humanos.
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