A lingua de eulalia

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  • Publicado : 31 de outubro de 2012
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Três universitárias chegam à casa de uma linguista renomada e professora universitária aposentada chamada Irene. Todas como Irene são professoras, mas com graduações diferentes, Vera é estudante de letras, Silvia de psicologia e Emília de pedagogia. Irene é tia de Vera, e as convidou para que passassem as férias em Atibaia lugar onde reside. Mesmo sendo aposentada Irene ainda pesquisa e ministraaulas, isso despertou a curiosidade de todas, e Vera explica o motivo de tanto interesse, Eulália, que fora empregada de sua tia, e que era analfabeta.
As meninas criticam o modo de Eulália falar, Irene as questiona com relação ao preconceito, e demonstra que as variações ocorrem devido ao próprio uso da língua que varia conforme as diferenças de gênero, de classe social, de etnia, entre outros.Irene expõe o mito da língua única que percorre todo o Brasil, afirmando que isso não corresponde à realidade, pois no Brasil são falados mais de duzentos tipos de dialetos diversos. A professora faz uma comparação entre o uso do português no Brasil e em Portugal, no nordeste e no sul do Brasil, da variedade de usos de um homem para uma mulher, e aponta que as diversas variedades resultam em umalíngua e que cada pessoa possui de forma individual.
Irene continua apontando que além da variação geográfica, a língua muda com o passar do tempo e que seu uso se dá de várias formas no espaço. Não há uma única variedade de português, mas uma variedade de dialetos dentro de uma mesma língua. A professora fala da norma padrão “um modelo ideal de língua”, que é usada por jornalistas, escritores epessoas cultas, discutindo a importância de ser aprendida na escola. Mesmo a norma padrão não sendo tão prestigiada, não deve ser como instrumento de discriminação e que se o mesmo investimento fosse aplicado às outras variedades, estas também se tornariam tão importantes quanto à norma padrão.
Irene dando seguimento a seus apontamentos, fala que ao estabelecer uma norma em uma língua as outrasvariedades passam a ser consideradas impróprias. Todas as variedades possuem recursos para desempenhar a função de comunicação e algumas línguas servem de base para a formação da linguagem padrão. O processo de colonização que se iniciou do norte para o sul, mostra o preconceito que há com as variedades nordestinas e do falar caipira.
Irene aponta as diferenças entre o PP, variedade falada pelasclasses sociais privilegiadas, que são minoria da população e o PNP, grande maioria dos falantes, classes sociais marginalizadas. Ela fala da discriminação da variedade PNP, que é um grave problema não apenas social, mas também no sistema educacional, o que resulta na enorme porcentagem de fracasso escolar. Conclui que o português padrão deveria ser ensinado de modo a integrar o aluno a sociedade,sendo que através do seu domínio permita ao falante lutar em igualdade com os outros cidadãos das classes privilegiadas.
As estudantes destacam o falar de Eulália, como PNP. Irene conta que Eulália foi alfabetizada quando tinha mais de quarenta anos, e que embora ela tenha sido alfabetizada no português padrão continua utilizando o não padrão, pois é a língua materna dela. Continuando, Ireneenfatiza que a rejeição pela variedade PNP continua sendo perpassada pelos meios sociais, sem que essa noção de “erro” seja explicada. O fenômeno do certo e do errado é um fenômeno antigo. Irene apresenta as estudantes às características entre as duas variedades, destacando a naturalidade do PNP e a artificialidade do PP. Irene explica que existem mais semelhanças que diferenças entre as variedades deportuguês no Brasil, apontando que apesar das diferenças os falantes de variedades diferentes conseguem se comunicar com eficiência.
As estudantes empolgadas sugerem a Irene à aplicação do curso intensivo que se inicia no dia seguinte; Vera questiona sobre o que poderia se aprender com uma empregada analfabeta. Irene lhe fala que não há somente um tipo de conhecimento, mas vários. Depois dessa...
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