A lingua de eulalia

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  • Publicado : 27 de agosto de 2012
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RESUMO DA OBRA – A língua de Eulalia

Tudo começa com a chegada de Vera, 21 anos, estudante de Letras; Silvia, mesma idade, estudante de Psicologia e Emília, 19 anos, estuda Pedagogia, à casa da tia de Vera, Irene, na cidade paulista de Atibaia, para curtirem alguns dias de férias de inverno e descansarem da agitada vida de professoras do curso primário em São Paulo.

Após o almoço derecepção, as garotas acham engraçado o modo de falar de Eulália, empregada de Irene. A partir daí, entram os conhecimentos lingüísticos de Irene, que tenta explicar às garotas que Eulália não fala “errado”, ela fala “diferente”. Ela utiliza o português não-padrão. Isso desperta a curiosidade das três estudantes em relação à língua portuguesa e suas variedades. Irene, então, propõe a elas que sirvam de“cobaias” às suas teses, desenvolvidas no livro que está escrevendo e propõe que tivessem “aulas” durante o período em que permanecessem hospedadas por ali e discutissem o assunto. Começa, então, uma série de intervenções de Irene, lingüista por paixão, sobre as variedades do português.

Irene começa explicando a elas que toda língua varia. Essas variações são fonéticas (em relação ao som), lexicais(sobre o vocabulário), semânticas (sobre o sentido das palavras) e em relação ao uso da língua, que varia conforme a situação e a condição sociocultural do falante. Mostra, também, que existem diferenças geográficas, pois a língua portuguesa abrange uma boa quantidade de falantes espalhados pelo mundo.

Irene, então, mostra a elas que existe uma chamada “norma-padrão”, que é um conjunto deregras que regem a língua. Quem a utiliza ganha prestígio social e todas as formas diferentes delas são consideradas “erradas”, os falantes que não a utilizam sofrem preconceitos e gozações. Em seguida, ela mostra que o português chegou ao Brasil durante o período de nossa colonização, que começou pelo Nordeste, chegando, mais tarde ao Sudeste e sofrendo toda sorte de mudanças. As pessoas dessaregião costumam ridicularizar o falar caipira, nordestino, entre outros.

Não existe uma unidade lingüística do Brasil, daí permitiu-se a criação do chamado “português-não-padrão”, que são as formas que fogem da norma padrão. Irene, então, define as nomenclaturas PP, para português-padrão e PNP para português não-padrão e propõe que o estudo seja centralizado em cima das diferenças entre eles.Inicialmente, a “professora” mostra que o PP é aquele ensinado nas escolas e o PNP é aquele que vem com a bagagem cultural do falante e que é suficiente para que ele se comunique de forma eficiente, sem precisar recorrer ao PP, cujo acesso é apenas às pessoas escolarizadas. Mas isso não quer dizer que os falantes do PNP podem ser considerados errados, sem cultura, inferiores. Ela mostra, inclusive,que o português-padrão vem do latim vulgar, língua falada na Península Ibérica, portanto sem nenhum tipo de norma que o definisse.

Irene vai mostrando que as pessoas não falam “errado”, mas sim “diferente”. Por exemplo, quem fala “pranta” em vez de “planta”, utiliza-se de um fenômeno chamado de rotacismo e não pode ser considerado um “erro”. Ela mostra que esses possíveis “erros” cometidospelos falantes do PNP têm uma explicação lógica na história da língua portuguesa, haja vista que se trata de uma língua de origem latina da qual se originaram também o italiano, o romeno, o francês, o sardo, o catalão e o espanhol. Enquanto o PNP é natural, transmitido, apreendido, funcional e marginalizado, o PP é artificial, adquirido, aprendido, redundante e oficial.

Enquanto isso, as “alunas”vão discutindo, expondo suas idéias, tirando conclusões e aprendendo. Todas ficam empolgadas com as “aulas” e isso permite que Irene possa ir, aos poucos, expondo todas as suas teses que nortearam seu livro, que pretende lançar em breve. Entre um almoço, um passeio, uma boa noite de sono, um reforçado café matinal, elas vão discutindo e aprendendo tudo sobre o PNP. Inclusive, passaram a...
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