A historia de samuel klein.

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  • Publicado : 29 de março de 2013
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SAMUEL KLEIN
O Empreendedor do Ano no comércio cresce o dobro da concorrência
Por Por Darcio Oliveira
Lá vem Samuel Klein. Camisa esporte de mangas curtas – as listradas, de preferência –, calça preta, de brim, e um par de confortáveis sandálias nos pés. As sandálias são mais do que merecidas. Ele já caminhou muito para chegar no topo do varejo. Começou sua saga empresarial como mascate,conduzindo uma charrete e vendendo colchões, cobertores e toalhas de mesa. Hoje é dono da Casas Bahia, império que reúne 323 lojas e não pára de crescer. Em 2001, foram 28 novas lojas. Até o final deste ano, terão sido 20, com investimentos de R$ 20 milhões. Na semana passada, Klein inaugurou uma loja de 2,8 mil metros quadrados no bairro de Jardim Ângela, um dos mais violentos da periferia de SãoPaulo (sinal de que não há obstáculos para a expansão da empresa). Disseram que esta era a maior de toda a rede. “Espere só para ver a que vou abrir em Interlagos”, corrige o empresário. Neste instante, Klein coloca os óculos de aros grossos, abre a agenda e anuncia: “Na semana que vem, vamos abrir outro ponto. Daqui a 15 dias, tem mais duas unidades. E no próximo ano serão outras 25. As coisas vãobem”. E como. A Casas Bahia vem crescendo em média 12% ao ano, enquanto concorrentes como o Ponto Frio não passam dos 4%. Foram estas conquistas que deram a Samuel Klein o título de Empreendedor do Ano no Comércio. Ele transformou a Casas Bahia no símbolo de resistência de um setor que viu antigos ícones como Mappin, Mesbla, G. Aronson e Casa Centro desmoronarem da noite para o dia. Os quesobraram, como Arapuã, lutam para sair da concordata.
“Qual o segredo, sr. Klein?”. Ele respira fundo, abre um sorriso e solta uma de suas tantas máximas: “Eu sei fazer conta. Compro por 100 e vendo por 200, sempre parcelado”. Em outras palavras, ele negocia arduamente com os fornecedores e coloca na etiqueta dos produtos um preço que, em vezes, cabe certinho no bolso de seu principal consumidor: asclasses C, D e E.
Crediário. Mais de noventa por cento das vendas de móveis e eletrodomésticos são feitas pelo sistema de crediário, em 6 ou 8 vezes sem juros ou até em 11 vezes com juros variáveis de 3,5% a 4%. “Nossa carteira tem dez milhões de consumidores, dos quais seis milhões são compradores habituais. Isso é quase o dobro da população do Uruguai”, festeja Michel. Um dos segredos daempresa, tão simples como o seu próprio dono, é fazer com que os boletos sejam pagos na própria loja. Isto faz com que o consumidor volte várias vezes à rede. Eis o sistema de fidelidade na versão Klein. Os serviços também seduzem o cliente. Recentemente, a empresa perdoou todos aqueles que interromperam o pagamento de carnês até 1997. Trouxe de volta milhares de consumidores. Criou ainda, durante algunsmeses deste ano, uma espécie de seguro desemprego para a compra de eletrodomésticos. Caso o consumidor perdesse o emprego, a rede arcava com as primeiras seis parcelas. O limite de compras para a aquisição de produtos sem comprovação de renda também foi alterado, passando de R$ 400 para R$ 600. A medida foi instituída porque 50% das pessoas que compram na Casas Bahia vêm do mercado informal e nãopossuem carteira assinada. O resultado foi instantâneo. Na primeira grande data do varejo neste ano, o Dia das Mães, a rede aumentou em 25% o seu volume de vendas se comparado a igual período de 2001. “A Casas Bahia pode não ter os melhores preços do mercado, mas tem as melhores condições para o consumidor de baixa renda”, afirma o consultor Marcos Gouvêa de Souza, da GS & MD Consultoria .“Eles criaram um sistema imbatível de análise e concessão de crédito.” Hoje, a taxa de inadimplência da rede é de 8,5%. A do setor bate nos 20%.
Samuel Klein não gosta de entrar em bancos. Tampouco contrai dívidas em dólar. Sua política é a do auto-financiamento, de reinvestir parte do lucro em expansão e no crediário. “Gosto desta independência”, diz. A regra vale não só para os assuntos...
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