A crise da sociologia rural no brasil

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A CRISE DA SOCIOLOGIA RURAL NO BRASIL E SUAS TRADIÇÕES TEÓRICAS William Héctor Gómez Soto1 RESUMO Este artigo faz uma avaliação da crise da sociologia rural no Brasil a partir da análise das tradições teóricas que a influenciam principalmente a vertente sociológica americana e o marxismo clássico. Busca-se compreender de que forma essas influências teóricas determinam a forma em que os cientistassociais têm interpretado o “mundo rural” brasileiro.

INTRODUÇÃO A produção teórica sobre o “mundo rural” no Brasil dos últimos trinta anos poderia ser caracterizada, por um lado, pela variedade de temas tratados, pelo número significativo das pesquisas empíricas realizadas que possibilitaram a coleta de abundantes informações e dados sobre a realidade agrária, e pelo outro, pela influência dereferenciais marxistas. Porém é necessário assinalar que uma parte importante dessa produção teórica está vinculada, em menor grau, às tradições teórico-metodológicas funcionalistas, predominantes na sociologia americana da década de 60. Atualmente, existe uma relativa incapacidade da “sociologia rural” brasileira de explicar as mudanças no “mundo rural”. Alguns autores brasileiros parecem terdificuldade em deixar de lado “velhas idéias” como a “diferenciação social na agricultura e a polarização de classes” oriunda da “tradição marxista clássica”, enquanto que a nível internacional existe uma outra dinâmica que incorpora novas questões e novas perspectivas teórico-metodológicas para entender velhos problemas. A ausência de um debate científico e livre de conotações “ideológicas” sobre aproblemática agrária, parece ter reduzido as possibilidades de inovações teórico-metodológicas que, ao mesmo tempo contemple as mudanças da realidade e as discussões a nível internacional. Apesar disso, alguns autores começam a chamar a atenção sobre a necessidade de repensar o “mundo rural” a partir das transformações que estão ocorrendo em escala mundial. Este artigo está estruturado em cincopartes. Na primeira parte, discutimos as tradições teóricas da sociologia rural, tendo como ponto de partida a compreensão da evolução da sociologia rural americana. Em seguida, tentamos apreender o processo de mudanças dentro da sociologia rural americana, iniciado a meados da década de 70 e caracterizado pela recuperação crítica das tradições teóricas de Marx e de Weber e pela emergência de novasquestões de pesquisas. A terceira parte, trata sobre a produção teórica brasileira sobre o “mundo rural”, seu contexto histórico e as principais visões. Na quarta

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Doutor em Sociologia (UFRGS) e Prof. do Instituto de Sociologia e Política (UFPEL).

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parte, queremos chamar a atenção sobre as transformações econômicas e sociais que estão fazendo emergir um novo “mundo rural” .

1. Asociologia do “mundo rural” e suas tradições teóricas A sociologia do “mundo rural” tem estado influenciada principalmente por duas tradições clássicas. Uma que pode ser chamada de “funcionalista” e a outra de “marxista clássica”. Ambas as tradições parecem insuficientes para dar conta das mudanças que estão ocorrendo no mundo rural brasileiro. Essa situação de “esgotamento” está dando lugar anovas concepções teóricas-metodológicas que alguns autores chamam de “nova sociologia rural” (Newby) ou “sociologia da agricultura” (Buttel). De acordo com Buttel et al (1990), na sociologia rural americana pode-se identificar três etapas: a primeira vai do início deste século até os primeiros anos da década de 50, onde o estudo sobre a agricultura foi construído como um dos muitos elementosnecessários para compreender a estrutura social da vida comunitária rural. A segunda época, início da década de 50 até início da década de 70, é conhecida como a época do enfoque do comportamento psico-social, cuja manifestação mais conhecida foi a difusão-adoção de inovações. Durante esse período a sociologia rural americana foi dominada por uma perspectiva que definia os produtores como atores que...
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