Veblen: a classe ociosa e o nascimento do capitalismo

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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS
INSTITUTO DE ECONOMIA
MESTRADO EM DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO

Torstein Veblen: A classe ociosa, a comparação odiosa e o pecado original.

Resumo: Este trabalho foca a análise de Torstein Veblen sobre a cons constituição de uma classe ociosa na sociedade....

1 – A teoria da classe ociosa

O propósito do livro de Veblen é claro. O lugar e ovalor da classe ociosa em sua qualidade de fator econômico da vida moderna, ou em outras palavras, mostrar a existência de uma classe ociosa no topo da estrutura social que (submete ou proporcionam) consciente ou inconscientemente seu modo de vida, mais seus padrões de valor ao restante da comunidade sob a forma de normas da boa reputação. Não obstante a essa marcação e devido ao papelcaracterístico que ocupa o autor também se preocupou subsidiariamente com à origem e as derivações dessa mesma classe, assim como formas da vida social não classificadas como econômicas a exemplo de seu capítulo sobre as observâncias devotas.
Ao tratar da origem da instituição da classe ociosa o autor indica que possivelmente ela surgiu gradualmente durante a passagem de um modo de vida pacífico paraum modo de vida pedatório. Ele chega a essa constatação mediante a obeservação de que a instituição dessa classe é o resultado de uma discriminação bem estabelecida entre diversas funções ás quais algumas são tidas como dignas, nobres e honrosas, e outras indignas humilhantes e vis. As primeiras são aquelas em que existe algum elemento de proeza ou façanha; as indignas são aquelas diárias erotineiras em que nenhum elemento notável existe. Assim, para Veblen, o conceito de dignidade e de honra é de fundamental importância no processo de constituição e de diferenciação entre as classes que em estágios primitivos aparecia como distinção entre sexos. Ao homem caberiam aquelas atividades em que agisse sobre o animado, como exemplo, a caça. À mulher as atividades rotineiras. Em tribos caçadoraspor, exemplo o homem não carrega o animal que matou. À mulher cabe esse trabalho vil.
Esta diferenciação é fruto do fundamento psicológico de que homem por necessidade se vê um agente. Cada ato procura realizar algum fim concreto. Desse modo, em cada ato tem repulsa por esforço fútil e preferência por atividade eficaz. Denominou essa propensão como instinto de artesanato. Porém, aextensão desse fundamento depende cconsideravelmente do contexto social. Nas comunidades em que usualmente se fazem tais comparações, como nos grupos predatórios, o sucesso torna-se um fim em si mesmo, desejável em virtude da estima social e estimula a disputa entre os indivíduos. Os incentivos para essas comparações são mais intensos nessas comunidades do que naquelas em estágio pacífico em virtude daatividade dos homens assmir caráter de proeza. Os símbolos dela como troféus e despojos de guerra assmem para o guerreiro uma caracteristica essencial da vida, ou seja, constituem-se na prova da força excepcional. Porém, sempre existiram conflitos mesmo nas sociedades tidas como pacíficas. O que explica as diferenças dela com uma fase predatória é uma predisposição ao conflito que somente pode serexplicado pelo fato de que surgem as condições materiais favoráveis à atitude predatória. Esse limite inferior da cultura predatória é um limite industrial na medida em que dados o desenvolvimento das forças produtivas para além dos níveis de subsistência exista uma porção pelo que valha lutar.
Sendo assim, para Veblen no curso dessa evolução cultural, o aparecimento de uma classe ociosacoincide com o início da propriedade. Na fase inicial de desenvolvimento, ambas são faces diferentes da mesma estrutura social. A primeira distição entre classe ociosa e classe trabalhadora é a distinção entre trabalho masculino e trabalho feminino. Assim, a primeira forma de propriedade aparece como a posse de mulheres e apropriação de mulheres cativas pelos homens mais capazes[1]. São...
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