Utopia - thomas morus

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  • Publicado : 10 de abril de 2013
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RESUMO

Atualmente, o termo “utopia” caiu em descrédito, especialmente devido à proclamação
de seu “fim”. Partindo desse panorama geral, investigamos o contexto em que esse termo foi elaborado e o sentido com o qual foi usado pela primeira vez, ou seja, remontamos o romance filosófico A utopia de Thomas Morus. Este livro traz um universo de elementos ambivalentes.
Morus deposita sua esperançano Novo Mundo (em oposição à decadente Europa), critica o não envolvimento do filósofo na política, o acúmulo de dinheiro, defende a inclusão de mulheres no sacerdócio, a liberdade religiosa, a educação para todos e em língua nacional, a eleição não apenas de representantes políticos, mas também dos sacerdotes. No entanto, na idealizada ilha de Utopia, ainda existem escravos, a educação é deresponsabilidade dos padres, o seu progresso tem como gênese o contato com os europeus e o cristianismo é o ideal de religião perfeita. Longe de avaliá-las em si mesmas, essas ambivalências surgem de um profundo diálogo de Morus com seu tempo histórico. As utopias, como expressão de subjetividades históricas, não são equivalentes, pois o anúncio de um lugar que ainda não é, mas pode ser, sempre partede uma leitura ética da realidade. Desta forma, as utopias são, explícita ou implicitamente fontes inspiradoras de diversas práticas sociais. Um mundo sem utopias é um mundo sem o humano. Assim, o fim das utopias é mais uma utopia. Nas palavras de Vázquez, “utopia do fim da utopia”, utopia negativa, impossível e irrealizável.


Toda utopia é determinada, por seu conteúdo e orientação, pelasociedade que ela repudia; cada uma das suas contra-imagens histórico-humanas se refere a um determinado fenômeno do hic et nunc histórico-social. Lukács


O presente texto compõe um estudo mais amplo cujo objetivo é investigar as apostas, construídas historicamente, em relação à ciência e à tecnologia, especialmente, aquelas que, a partir da modernidade, assumiram a forma de utopias eantiutopias. Um estudo dessa natureza pode parecer paradoxal quando ainda ecoam os anúncios de “fim da história” e “fim das utopias”. Que sentido teria estudar utopias e/ou antiutopias nesse contexto? Não seria uma tarefa extemporânea e demodée? Ou representa algo próximo do que significa “escovar a história a contrapelo”, no dizer de Walter Benjamin?
Nessa proposta, também nos defrontamos com umobstáculo semântico: o que é utopia? Em termos etimológicos, utopia vem do grego ou que é uma partícula de negação, e topos que é lugar. Literalmente, o termo significa “lugar nenhum”. Já no dicionário de língua portuguesa, esse termo indica um projeto irrealizável, uma quimera. Ora, esse sentido nos joga agora num duplo problema: além de parecer “extemporâneo” nesse clima de “fim das utopias”, o nossoobjeto de investigação remete ao que não está em lugar nenhum, a sonhos irrealizáveis.
Por que homens e mulheres despenderam seu tempo em imaginar realidades inexistentes e irrealizáveis? Por que eles sonharam situações que não se encontram em nenhum lugar e nunca se encontrarão? Nosso estudo parece, cada vez mais, paradoxal, pois, afinal, que serventia ele teria?
Em meio a tantos questionamentos,é importante reconhecer que a utopia tem sua história (Vázquez, 2001) e, por essa razão, é prudente investigar o contexto em que esse termo foi elaborado e o sentido com o qual foi usado pela primeira vez. Tendo em vista esse objetivo, o presente artigo remonta o romance filosófico A utopia, publicado em 1516, por Thomas Morus (1478-1535). Antes de abordar diretamente o conteúdo desse livro,apresentamos algumas informações acerca da vida de seu autor e de seu tempo histórico. O objetivo não é apenas oferecer um “em torno” que facilite a compreensão do livro, mas ter a possibilidade de captar a relação entre a projeção utópica de Morus e o seu posicionamento ético em face do contexto social do momento.


THOMAS MORUS: SER PARTICULAR NA UNIVERSALIDADE DE UM
TEMPO

Segundo...
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