Tragetoria do negro

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  • Publicado : 13 de setembro de 2011
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A Trajetória do Negro na Literatura Colonial e os Reflexos para a Sociedade Moderna

Na literatura brasileira, vários autores abordaram as questões raciais e a figura do negro no Brasil, em romances e outros tipos de manuscritos. Na sua grande maioria, estas obras literárias ressaltam o estado de submissão do negro em nossa sociedade, destacando o período escravagista.
A presença do negro naliteratura brasileira não escapa ao tratamento marginalizador que, desde as instâncias fundadoras, marca a etnia no processo de construção de nossa sociedade. Sua presença marcante na literatura se deu a partir do século XIX, configurada numa visão estereotipada de como a sociedade colonial e sua estrutura concebiam o negro. Alicerçada na continuidade do processo em que de um lado estavam osopressores (brancos europeus), e do outro os oprimidos, (negros africanos), a literatura descrevia o negro como objeto, retirando sua humanidade, e que ainda prevalece na atualidade com algumas variações.
Partindo destas reflexões a cerca das condições raciais do negro no Brasil e a forma como este foi retratado na literatura brasileira, pretendo analisar neste ensaio a diferença entre ascaracterísticas atribuídas ao negro através de textos literários que retratam sua história e seus reflexos na modernidade.
Segundo Tássia Martins, graduanda em Letras, que escreveu um trabalho sobre “A representação do negro na poética de Elisa Lucinda e Sônia Fátima da Conceição”[1] no imaginário da sociedade ocidental a representação do negro se manifesta de acordo com o discurso de determinadas instituiçõese autoridades intelectuais legitimadas em períodos específicos”. Por conseguinte, a imagem que se construiu acerca do homem negro é resultante das necessidades de cada configuração histórica e para identificar a construção desse estereótipo, faz se necessário notificar as formações discursivas que circundaram a cada época.
A escravidão se legitimou no Brasil a partir da cultura da cana deaçúcar, e durante quatro séculos, o entendimento do homem branco europeu sobre o negro se revigorou, fortaleceu e se difundiu por nosso território. Muitos teóricos atuaram como disseminadores de idéias deterministas, naturalistas e outras para o estabelecimento desta “ordem”.
Estas investigações tratavam as diferenças culturais e étnicas entre brancos e negros como resultantes de uma inferioridadeinerentes a determinados povos e o discurso da elite branca brasileira passou a carregar consigo todo esse arsenal de conceitos que relegaram ao negro a marginalidade e a subordinação com relação a um senhor.
O Brasil era um território fértil para a boa recepção dessas idéias pré-conceituosas e racistas, uma vez que o processo de escravidão necessitava de um respaldo para a sua continuidade. A seguintecitação de Emilia Costa sintetiza esse conceito e caracteriza de forma clara como este processo de apropriação dos discursos legitimadores europeus era necessário para a elite brasileira.
“A elite branca brasileira já tinha em sua própria sociedade os elementos necessários para forjar sua ideologia racial”. Tinha aprendido desde o período colonial a ver os negros como inferiores. Tinha tambémaprendido a abrir exceções para alguns indivíduos negros ou mulatos. Qualquer europeu ou americano que postulasse a superioridade branca seria necessariamente bem recebido (Costa, 1985,257).

Nessa citação, é visto a superioridade da elite branca, que em sua posição social designava aos negros, situações de desconforto físico e moral, sendo este último mais vergonhoso, pois chibatadas doíam, mas osentimento de desprezo era mais degradante, já que todos eram seres humanos e a condição da cor diferenciava todo um processo de humanização. Havia também aqueles negros, que mesmo escravos eram escolhidos para servir fora das lavouras de café, realizavam trabalhos domésticos, dentro das grandes fazendas, muitos esqueciam até que eram escravos, sentiam-se na condição de homens livres, mesmo...
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