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Por PEDRO ROBERTO FERREIRA
Doutor em Ciência Política; Professor na Universidade Estadual de Londrina (UEL); autor de O conceito de revolução da esquerda brasileira - 1920-1946(rEL, 1999 | | O entendimento de que a via ao socialismo passava pelo bolchevismo, melhor ainda, de que não haveria outra alternativa, durante um longo período pertubou a crítica revolucionária. Mas é bom verificar, que aquestão de “via única” para as transformações socialistas nunca esteve em Marx, algo que C.Samary faz por destacar na sua crítica à planificação soviéticaEm outras palavras, a tese da “via única” vai estabelecer, enfim, uma congeneridade com a tese do socialismo de Estado.Em artigo que trata da relação entre capitalismo, imperialismo e mundialização, Samir Amin ao estabelecer um paralelo entre oEstado na União Soviética, com o Estado do Bem Estar Social e os Estados Nacionalistas e Populistas comprometidos com a modernização dos países terceiro-mundistas, vai conceber o “socialismo real” como uma espécie de capitalismo sem capitalistas, invertendo a tese de Istvan Meszaros que vê o Capital mas sem a presença de um capitalismo. Para Amin a crítica deve observar fundamentalmente oimbricamento desses sistemas politico-sociais com as formas de mundialização correspondentes porque exatamente aí é que se põe uma alternativa de superação desse quadro tão favorável à dominação do capital: Está claro para Samir Amin, que essa mundialização que reproduz as condições favoráveis à dominação do grandecapital, não poderá ser o ponto de partida para o “grande salto”, até porque, ela coloca em sua plenitude o imperialismo agora entendido não mais enquanto fase específica: Indubitavelmente, essa mundialização iria compor um novo quadro social e político, posto que, o presente já teria seesgotado enquanto foco de um internacionalismo tão necessário para as possibilidades de superação revolucionária do capitalismo mundial. É verdade, outrossim, que nos preliminares movimentos de 17 havia aparecido uma vaga internacional capaz de expor forças sociais das mais complexas e reveladoras de seu conteúdo revolucionário, que sobreviveram a degenerescência burocrática stalinista:Trata-se, como diz Michael Löwy, de um internacionalismo capaz de levar a mundialização efetivamente e, portanto, incapaz de se coadunar com o Socialismo de Estado que teve vigência na URSS e a nivelou aos Estados Unidos da América, totalmente, enfim, independente de qualquer Estado:O que fica muito claro, é que tal processo não poderia caber num socialismo de Estado, que fora alimentado por décadas pela idéia do “socialismo único”. Segundo Gérard Duménil e Dominique Lévy, o problema gerado pelo socialismo de Estado pode ser observado no ponto de partida do processo revolucionário, principalmente, por meio da compreensão de Lênin sobre aultrapassagem do capitalismo no interior de uma economia atrasada, o que haveria de deixar uma herança capitalista muito forte a permanecer no processo. Todavia, processo agravado, sem dúvida, pela fase - a mais duradoura - do “socialismo num só país”. Numa interessante passagem do texto dos autores, pode-se ver como o socialismo de Estado amarra na planificação da economia no seu conjunto, a estruturaburocrática de essência capitalista, em outras palavras, configurando-se uma não compartimentarização das estruturas também nesse sistema que se historiciza. Mesmo George Labica que durante muito tempo permaneceu seduzido pelas teses dos partidos comunistas oficiais não deixou de anatematizar o...
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