Trabalho de lingua portugues

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 30 (7276 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 6 de novembro de 2012
Ler documento completo
Amostra do texto
Mesa-redonda - Inclusão escolar: desafios
Rosita Edler Carvalho
Mestre em Psicologia, Doutora em Educação
e Pesquisadora em assuntos educacionais.
Este Seminário Internacional elegeu como objetivo "discutir questões contemporâneas concernentes à problemática das pessoas que apresentam necessidades educacionais especiais (leia-se pessoas portadoras de deficiência)". Tratase de assunto atual e quetem merecido destaque em fóruns nacionais e internacionais, em busca da cidadania plena de pessoas com deficiência.
O título do trabalho que me foi proposto induz à análise dos atuais desafios (obstáculos, situações provocativas, inquietantes e estimulantes que exigem providências) que essas pessoas têm enfrentado, no âmbito da educação
escolar. No entanto, o primeiro desafio que me ocorre mencionar éo de ficar
restrita ao próprio tema, sem considerar todas as manifestações perversas de
exclusão experimentadas por tantas e tantas pessoas, além das portadoras de
deficiência. Dizendo de outra maneira, considero um desafio examinar a inclusão
escolar sem discutir seu contraponto - a exclusão (na escola e em outras instituições sociais) - não só dos portadores de deficiência como de outros gruposminoritários e em situação de desvantagem.
Refiro-me, também, aos meninos e meninas na rua, às crianças e adolescentes que trabalham, a todos os que abandonam a escola precocemente, aos
que têm doenças crônicas, aos encarcerados, às prostitutas, aos analfabetos, aos
que vivem no campo, às po-pulações nômades, às minorias lingüísticas, aos negros, mulatos, aos desempregados, às crianças, jovens eadultos oriundos das
camadas populares, pobres ou miseráveis, com ou sem dificuldades de aprendizagem. Enfim, aproveito o ensejo para me referir a todos aqueles que, no
imaginário social, representam "risco"e merecem, portanto, atenções diferenciadas, principalmente de cunho protecionista (em vez de emancipatório), seja
para o sujeito ou para a sociedade (que acaba adotando medidas que segregam
eestigmatizam).
Na verdade, a inclusão escolar não é um processo em si mesmo, dissociado de
ou-tros, igualmente sociais. Para analisá-la, precisamos considerar os mecanismos excludentes adotados pela sociedade, segundo o modelo de desenvolvimento
econômico vigente no país.
Após a grande crise mundial de 1929, o Brasil procurou afirmar-se através
de um modelo nacional desenvolvimentista, expandindo aindústria nacional por
meio da substituição das importações de bens não duráveis por bens duráveis.
Ganharam força os ca-pitais industriais e os ideais nacionalistas, centralizados
pelo governo federal.
Com o modelo de internacionalização do capital ocorreu um inchaço nas
cidades, para onde migravam populações rurais em busca de trabalho nas indústrias, pois minguavam suas economias no campo. Mas asindústrias emergentes

1

não foram capazes de absorver toda a mão-de-obra que chegava às cidades. Além
disso, as exigências do trabalho industrial não puderam ser atendidas, pois os
campesinos estavam despreparados.
A intervenção do Estado na vida urbana não se deu através de ações corretivas ao desenvolvimento desordenado do capital, mas através de ações de
instalação, expansão e melhoramento deinfra-estruturas necessárias ao capital.
Os acontecimentos concomitantes nas grandes cidades são carregados de tensões sociais e assinalam diferenças marcantes entre as classes. (Castelo Branco,
1997)
A exclusão social chegou a níveis absurdos, principalmente entre crianças
que mudavam de denominação, segundo sua condição de pobreza: eram
"menores"quando abandonadas, carentes se perambulavam pelasruas, se infratoras, passando à responsabilidade do Ministério da Justiça. Ao serem designadas como "menores", perdiam sua característica infantil e passavam para o
imaginário como perigosas, precisando de meca-nismos de "proteção"judicial.
Apesar dos inegáveis avanços alcançados com o Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA), ainda permanecem como "menores", como "meninos de
rua", em vez de...
tracking img