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O ENSINO DE PRODUÇÃO DE TEXTOS NA PERSPECTIVA DOS GÊNEROS DISCURSIVOS NUMA TURMA DE SUPLETIVO DO ENSINO MÉDIO 1 Jorge Ivam FERREIRA 2 Secretaria de Educação de Estado de São Paulo

Resumo Apresentamos, neste artigo, parte dos resultados de uma pesquisa cujo objetivo (entre outros) foi estimular a produção de textos numa classe de Supletivo do Ensino Médio. Após constatar que a simples menção àfamigerada “redação” causava “um frio na e analisar contos, barriga” dos alunos, levantamos a hipótese de que, se trabalhássemos sob a perspectiva dos gêneros discursivos, oferecendo-lhes a possibilidade de ler crônicas, poemas, páginas de diários, letras de música triviais da vida do narrador (ou eu-lírico) pequenos textos autobiográficos, que tematizassem episódios

e depois lhes propuséssemosa produção de

conseguiríamos fazer com que nossos alunos

passassem a ter uma nova concepção do ato de escrever, encarando-o como uma atividade natural. Os sujeitos desta pesquisa, realizada no primeiro semestre de 2006, foram 39 alunos da EE “Cap. Deolindo de Oliveira Santos”, de Ubatuba. A partir da seqüência didática desenvolvida e da observação do comportamento dos estudantes no decorrerdas atividades propostas e dos seus depoimentos, colhidos no final do projeto, conclui-se que quase a totalidade dos participantes gostou de realizar as produções de textos e, nesse momento, já não demonstrava medo de fracassar nessa competência tão valorizada pela sociedade. Palavras-chave: gêneros discursivos, produção de texto. 1. Introdução O presente artigo pretende apresentar os resultadosde uma pesquisa de

produção de textos, realizada numa turma de terceira série do supletivo de Ensino

Este artigo foi gerado a partir da dissertação de mestrado intitulada Leitura e produção de textos de natureza ficcional ou autobiográfica no supletivo de Ensino Médio, orientada pela Profa. Dra. Maria Aparecida Garcia Lopes Rossi. 2 Mestre em Lingüística Aplicada pela Universidade deTaubaté.

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Médio, da EE “Cap. Deolindo de Oliveira Santos”, de Ubatuba, na qual se operou com a teoria dos gêneros discursivos, intentando buscar uma alternativa ao modelo tradicional de ensino de língua materna, que, desde a década de 80, vem sendo alvo de críticas contundentes por concentrar todos os esforços para que os alunos aprendam a usar a norma padrão sem considerar o caráter dialógicoda linguagem. significativa De fato, uma parte sistema dos professores de português trata a língua como um

independente das condições de uso e de seus usuários acreditando que basta conhecer as regras gramaticais e a estrutura do idioma para que o aluno seja capaz de ler e produzir qualquer tipo de texto. Pesquisas realizadas por Geraldi (1985) e Brito (1985) já mostravam que esse modelo deensino não surte o efeito desejado, somente poucos alunos escrever plenamente desenvolvidas. 2. As tentativas de romper com a tradição Ainda na década de oitenta, o texto começou a ser tomado como unidade mínima para o ensino de língua materna. Isso representou um avanço significativo, mas logo se percebeu que o texto se tornou um pretexto para o ensino de gramática normativa ou de elementos daLingüística Textual: coesão, coerência, anáfora. Nessa perspectiva, baseia-se a crença de que, tendo o domínio das regras gramaticais, o aluno está apto para ler e escrever textos de qualquer natureza. As condições de produção, circulação e recepção de um gênero discursivo ainda são desprezadas pela maioria dos professores de língua materna. Assim como acontecem com as atividades de compreensão dostextos levados para a sala de aula, o ensino de produção de texto ainda não conseguiu se libertar do peso da tradição, recebendo apesar de numerosas críticas que essa prática pedagógica vem Desse modelo de nos meios acadêmicos há pelo menos três décadas. uma vez que terminam o Ensino Médio com as competências de ler e

ensino, decorre que a produção de textos em sala de aula raramente é...
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