Texto e intertextualidade

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  • Publicado : 13 de setembro de 2011
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Parece que as escolas públicas e particulares perderam o foco de ensinar ao aluno primeiro conhecer a língua materna e desenvolver o gosto pela leitura. Dados de uma pesquisa recente revelam: o aluno que não lê – ou que não compreende um texto – vai mal também nas outras matérias. Portanto, a leitura e a compreensão dos textos devem ser base da aprendizagem.

É chamado de “sintoma dacircularidade”, ou seja, o desempenho da leitura interfere na aprendizagem de todas as matérias, além de promover a socialização e a cidadania do sujeito-leitor. Parece óbvio: o aluno não se sai bem nas matérias porque não compreende os textos recomendados pelo professor. Na prova, tende a se sair mal o aluno que não sabe ler os enunciados, que não compreende o que está sendo pedido que se faça.

OSistema Nacional de Avaliação Básica (Saeb), em 2005, avaliou os estudantes brasileiros, em todas as séries, demonstrou que o desempenho hoje é pior do que há dez anos. Em Português, os alunos da 8ª. série alcançaram 232 pontos. O mínimo aceitável para essa etapa da vida escolar seriam 300 pontos. Uma simples medida poderia reverter esse escandaloso fracasso de nosso sistema de ensino: priorizar oensino da nossa língua e incentivar a leitura de contos, romances, ficção, enfim, da literatura em geral.

Não se trata de ensinar o que é dígrafo – lembrando de uma crônica de Rubem Alves. Mas, de desenvolver principalmente no jovem o interesse de ler para pensar melhor. Os jovens de hoje pensam mal porque não sabem como organizar as idéias; usam meia dúzia de palavras querendo dizer tudo, mas forado seu grupo não faz sentido. A nova geração parece gostar de ler textos descartáveis da Internet, sempre com pressa, sem saborear o sentido das palavras. E, ficam distantes dos jornais, revistas, e livros que demandam mais tempo e paciência para interpretação e compreensão.

Um número significativo dos jovens que chegam à universidade não consegue compreender um texto e nem saber fazer uma boaredação. Sabemos que o bom leitor deve estabelecer um encontro existencial e cultural com o autor. Não é preciso admirá-lo, mas respeitá-lo pelo seu trabalho de ter escrito uma boa obra. Uma boa leitura, ainda, implica em compreender a razão e a emoção do seu escrito[1].

Também, não basta insistirmos num ensino pretensamente crítico só porque leva o aluno a repetir as frases de efeitoproferidas pelo professor contra o isto ou aquilo, no fundo, visando ser incluído num grupo social supostamente mais conscientizado. É preciso aprofundar o saber sobre o que é formar um cidadão crítico hoje, que difere sobre ser crítico na época da ditadura militar[2]. Hoje, o propósito de construir um sujeito crítico deve vir junto com a construção de um “sujeito-leitor-critico”, com seu direito de seposicionar de modo independente e formular um pensamento consistente e estilizado sobre o que leu, tanto oral como escrito.

Falta diálogo entre ensino e biblioteca

Nossas escolas carecem de um projeto de formação do sujeito-leitor. Quando a escola possui sua própria biblioteca não existe um diálogo entre o que ela ensina e o acervo da biblioteca, observa o professor da Universidade Federal doMaranhão, César Augusto Castro. O ensino que deveria preparar para a vida visa apenas as provas da escola e o vestibular. Ainda, é preciso criticar os professores que encaminham os alunos para “fazer pesquisa” na Internet, passando-lhes dupla idéia falsa: que realmente se pode “fazer pesquisa” na Internet (ora, a “rede” serve apenas para “levantamento de dados”), e, que a biblioteca é apenas ummuseu de livros, já superado pela Internet. O resultado dessa pseudo-pesquisa da Internet é a colagem acrítica de textos, visando enganar o professor e ele mesmo, pensando ter realizado um bom trabalho.

Pouco se investe para desenvolver nos alunos a iniciativa de ir à biblioteca buscar informações nos jornais, revistas, periódicos científicos, teses, livros, etc. Nossas escolas não trabalham os...
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