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  • Publicado : 3 de novembro de 2012
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A

Roberta Bandeira de Souza*

Liberdade, propriedade e trabalho em Locke e Hegel

RESUMO
A intenção do artigo é relacionar os conceitos de propriedade, trabalho e liberdade no pensamento de Locke e Hegel, apontado as aproximações existentes no pensamento de ambos ao discutirem estes conceitos. Parte-se das idéias fundamentais de Locke sobre estado de natureza e direito natural, expondo osentido da liberdade, da propriedade e do trabalho neste contexto. Em seguida, serão confrontadas as visões de Locke e Hegel, assinalando como este último recupera e rompe com a teoria contratualista de Locke. Palavras-chave: Propriedade; Trabalho; Liberdade; Estado de Natureza; Teoria Contratualista.

ABSTRACT
The aim of this paper is to relate the concepts of ownership, work and liberty inthe Locke and Hegel thought’s, pointing the similarities between both philosophers about them. It starts with Locke’s basic ideas of state of nature and natural law, explaining the sense of freedom, ownership and work in this context. In the next moment, it will be confronted the positions of Locke and Hegel, demonstrating how Hegel retains and at the same time breaks with Locke’s contractariantheory. Key words: Ownership; Work; Liberty; State of nature; Contractarian theory.

Doutoranda em Filosofia pela UFMG. ARGUMENTOS, Ano 4, N°. 7 - 2012

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Introdução
A tradição jusnaturalista moderna assume a pressuposição de uma convivência humana em um estado de natureza onde os indivíduos são portadores de direitos naturais inalienáveis. Seja defendendo o estado de natureza como âmbito deguerra de todos contra todos onde predomina a insegurança, como pensou Hobbes, ou como um estado de plena igualdade e liberdade, da maneira que entendeu Rousseau, ou como lugar de direitos naturais fundamentais, como afirmou Locke, os filósofos jusnaturalistas concordam com a fundação de um estado ou sociedade política que assegure juridicamente os direitos naturais dos indivíduos e, assim,defendem o contrato ou pacto como o acordo que os indivíduos realizam entre si a fim de preservar seus direitos naturais originários de um estado de natureza. A visão de Locke é clara: os homens se unem em sociedade para garantir o direito à propriedade que já existe no estado de natureza. Portanto, a proteção da propriedade é o direito natural fundamental a ser preservado em uma sociedade política. Apropriedade em Locke tem amplo sentido, pois é entendida como vida, liberdade e bens, indicando tanto o direito do homem de tomar posse das coisas quanto o direito natural supremo que o homem tem sob sua vida e sua capacidade de trabalhar. Corroborando com Locke, Hegel irá entender a propriedade em sentido amplo, pois a define como esfera externa que ganha sentido na medida em que uma vontade livredela se apossa dando sentido e racionalidade, por intermédio de seu trabalho, as coisas do mundo. Entretanto, Hegel amplia ainda mais a concepção de propriedade e rompe com a visão de Locke e dos jusnaturalistas, antes de tudo porque não concorda com a existência de direitos originários de um estado de natureza, pois o convívio hu-

mano e os direitos a ele adstritos, inclusive a propriedade, sãohistoricamente constituídos. O direito à propriedade em Hegel é adquirido como um maior ganho da particularidade de uma vontade livre e o trabalho é uma das mediações sociais que efetiva a liberdade da vontade configurada como pessoa jurídica.

O sentindo da liberdade, da propriedade e do trabalho em Locke
Seguindo a tradição jusnaturalista, John Locke parte da hipótese de uma convivêncianatural dos homens em um dado estado de natureza no qual todos gozam de liberdade e igualdade. Em visão opositora a de Thomas Hobbes, Locke não acredita que o estado de natureza é sinônimo de estado de guerra, vivendo os indivíduos aí em permanente intenção de destruir o outro, tão pouco pensa como Rousseau que acredita ser a propriedade a origem das desavenças das harmoniosas relações naturais.1 Na...
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