Terapia cognitivo comportamental e perda de peso

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Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul
Print version ISSN 0101-8108
Rev. psiquiatr. Rio Gd. Sul vol.29 no.1 Porto Alegre Jan./Apr. 2007
http://dx.doi.org/10.1590/S0101-81082007000100015
ARTIGO DE REVISÃO
Evidências sobre a terapia cognitivo–comportamental no tratamento de obesos com transtorno da compulsão alimentar periódica
Mônica DuchesneI; José Carlos AppolinárioI; BernardPimentel RangéII; Silvia FreitasIII; Marcelo PapelbaumI; Walmir CoutinhoIII
IInstituto de Psiquiatria, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, RJ. Grupo de Obesidade e Transtornos Alimentares, Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia, Rio de Janeiro, RJ
IIInstituto de Psicologia, UFRJ
IIIGrupo de Obesidade e Transtornos Alimentares, Instituto Estadual de Diabetes eEndocrinologia, Rio de Janeiro, RJ
Correspondência
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RESUMO
OBJETIVOS: Avaliar as evidências sobre a eficácia da terapia cognitivo–comportamental no tratamento de obesos com transtorno da compulsão alimentar periódica.
MÉTODOS: Nesta revisão, foram incluídos ensaios clínicos e metanálises publicados entre janeiro de 1980 e fevereiro de 2006, em todas aslínguas. Foram excluídos estudos que investigassem a eficácia da terapia cognitivo–comportamental com uso concomitante de medicação, terapia cognitivo–comportamental no formato de manuais de auto–ajuda, relatos ou série de casos e cartas ao editor. As bases eletrônicas de dados consultadas foram: MEDLINE, PsycINFO, Embase, LILACS e Cochrane Library. A estratégia de busca incluiu também a checagemmanual das referências bibliográficas dos artigos selecionados e de capítulos de livros sobre o tema.
RESULTADOS: Foram encontrados dois ensaios clínicos abertos e 15 controlados. O desfecho primário na maioria desses estudos é a compulsão alimentar. No geral, os ensaios clínicos avaliados sugerem que o uso da terapia cognitivo–comportamental resulta numa melhora significativa da compulsãoalimentar e dos sintomas psicopatológicos associados ao transtorno da compulsão alimentar periódica, sem resultar em perda de peso substancial.
CONCLUSÕES: As evidências disponíveis sugerem que a terapia cognitivo–comportamental é um método de tratamento eficaz para o transtorno da compulsão alimentar, em relação aos componentes psicológicos dessa condição. Entretanto, sua eficácia na redução dopeso corporal e na manutenção dos seus efeitos no longo prazo ainda precisa ser melhor investigada.
Descritores: Terapia cognitivo–comportamental, tratamento, psicoterapia, transtorno da compulsão alimentar periódica, compulsão alimentar, obesidade.
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Introdução
O transtorno da compulsão alimentar periódica (TCAP) é caracterizado por episódios decompulsão alimentar recorrentes na ausência dos comportamentos compensatórios inadequados para evitar o ganho de peso observados na bulimia nervosa (BN). Durante o episódio de compulsão alimentar, há um sentimento de falta de controle sobre o comportamento associado à ingestão de grandes quantidades de alimento, mesmo que o indivíduo esteja sem fome, e, em geral, levando a um grande desconforto. Esseepisódio é sucedido por um intenso mal–estar subjetivo, caracterizado por sentimentos de angústia, tristeza, culpa, vergonha e/ou repulsa por si mesmo1.
Apesar de o peso não ser um critério diagnóstico, o TCAP freqüentemente se associa ao sobrepeso e a diversos graus de obesidade. Enquanto sua prevalência estimada na população em geral pode variar entre 1,82 e 4,6%3, aproximadamente 30% dosindivíduos obesos que procuram tratamento para emagrecer apresentam esse transtorno2,3, tendo sido observada uma associação positiva entre a presença da compulsão alimentar e o aumento da adiposidade3,4.
Os obesos com TCAP, quando comparados aos sem esse transtorno, apresentam mais sintomas psicopatológicos gerais ou alimentares4. Em relação ao primeiro grupo, foram identificados maiores níveis de...