Teoria da convivencia

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  • Publicado : 10 de março de 2013
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Aspectos psicossociais da convivência de idosas com animais de estimação: uma interação social alternativa
 
RESUMO
Este estudo buscou apreender as representações sociais acerca das interações com animais de estimação elaboradas por idosas, considerando seus benefícios e riscos. Participaram 200 idosas, distribuídas em dois grupos, de acordo com a convivência ou não com animais de estimação.Aplicaram–se um questionário sociodemográfico e a Técnica de Associação Livre de Palavras, com base nos estímulos–indutores "animal de estimação", "benefícios", "riscos", "saúde", "doença" e "eu mesma". Os resultados mostraram que as idosas que conviviam com animais de estimação ancoraram as representações sociais dos animais nas interações sociais alternativas associadas à carência afetiva humana.Elas expressaram a ausência de riscos no contato com os animais, adotando uma conduta defensiva em relação ao estímulo, direcionada para a busca do equilíbrio mental, numa luta silenciosa para sobreviver à angústia da solidão. Constatou–se que a rede de significados ultrapassou a simples posse de uma mascote e assumiu uma postura concernente aos deslocamentos dos afetos. Foram discutidas aslimitações do estudo, sugerindo–se a ampliação da amostra e das técnicas de coleta de dados, como forma de aumentar o seu alcance e a sua aplicabilidade social.
Palavras–chave: Idoso, Animal de estimação, Representações sociais, Técnicas projetivas, Apoio social.

Introdução
O processo de construção do envelhecimento encontra–se inter–relacionado com uma complexa rede de fatores físicos, psicológicos,sociais, econômicos e culturais. A interação desses fatores faz do envelhecimento um fenômeno extremamente heterogêneo e individualizado, que é influenciado por padrões históricos e culturais de uma sociedade.
Nessa fase da vida, inicia–se a perda da intimidade com companhias humanas, a exemplo de cônjuges e amigos, além da separação dos filhos e dos colegas de trabalho e da alteração dos papéissociais. Todos esses fatores tendem a reduzir a rede de suporte social ao idoso, desencadeando uma solidão constante, que passa a ser fonte de estresse e que pode ser traumática. No contexto contemporâneo, a tendência de viver sem uma companhia humana faz aumentar as interações sociais alternativas, visando à manutenção da saúde e do sentimento de bem–estar. Segundo Ramos (2002), entretanto, o estresseassociado à solidão faz que tais interações alternativas contribuam para o surgimento ou o agravamento de doenças físicas e psicológicas.
No que concerne às interações sociais alternativas, diversas pesquisas têm mostrado que os seres humanos, especialmente os idosos, consideram seus animais de estimação membros da família. De acordo com Suthers–McCabe (2001), a relação ser humano–animal é talvezmais forte e mais profunda na velhice do que em qualquer outra idade. Nesse sentido, a interação entre humanos e animais se reveste de um caráter benéfico e dinâmico na medida em que inclui não somente o aspecto da companhia proporcionada pelos animais, mas também as trocas de vivências emocionais, psicológicas e físicas entre as pessoas.
Com base em um levantamento realizado no portal deperiódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), na MedLine e na SciELO, pode–se observar que são escassas as pesquisas que tratam da relação psicoafetiva entre os humanos e os animais de estimação, e nenhum estudo focalizou a temática vinculada à participação de pessoas idosas. Nos poucos estudos identificados, destaca–se a dominância da abordagem quantitativa emdetrimento de uma investigação de cunho qualitativo, que poderia apreender as subjetividades inerentes ao relacionamento psicoafetivo e social que se encontra no cerne da interação entre o ser humano e o animal de estimação.
Nesse sentido, McNicholas e Collis (2001) realizaram uma pesquisa com o objetivo de investigar as subjetividades inerentes ao relacionamento de crianças com seus animais de...
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