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O segredo do sucesso do Magazine Luiza
Esqueça as receitas de recursos humanos. O Magazine Luiza é a melhor empresa para trabalhar no Brasil porque conseguiu fazer com que homem e lucro se tornassem elementos indissociáveis em sua estratégia de negócios
O auditório está lotado. Cento e vinte pessoas – a maioria moças vestindo camisetas brancas e calças azul-escuro – se movimentam nas cadeirase cochicham numa espécie de frisson. Algumas tiram as máquinas fotográficas da bolsa e se levantam em busca do melhor ângulo para um retrato. De repente, ela surge no centro do palco. Roupa vermelha. Brincos, pulseiras e colar dourados. Um jeitão de animadora de programa de auditório – uma espécie de Ana Maria Braga morena. Luiza Helena Trajano Inácio Rodrigues não ganha a vida cantando, dançandonem aparecendo na novela das 8 – mas sua popularidade, pelo menos dentro daquele pequeno ambiente, é enorme. Aos 53 anos, mãe de três filhos adultos, pouco mais de 1,5 metro de altura, sotaque caipira, ela comanda uma empresa com 4.000 funcionários, 159 lojas distribuídas pelos estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso do Sul, com 4 milhões de clientes cadastrados e um faturamentoque deve chegar a 850 milhões de reais em 2003. Num ano de paradeira na economia, o Magazine Luiza, rede de varejo de eletroeletrônicos, móveis e presentes, fundada há 46 anos em Franca, no interior de São Paulo, inaugurará 50 novas lojas – uma média de quase uma por semana. Poucas empresas no Brasil ousaram crescer tanto nos últimos tempos.
Luiza Helena não tem alternativas. Sabe que precisa dotrabalho de cada uma daquelas 120 pessoas, moças e rapazes, à sua frente para manter a empresa no caminho da expansão, para realizar o sonho de, em alguns anos, operar 500 unidades espalhadas pelo país. São todos vendedores, com salários que atingem 1.000 reais nos melhores meses de vendas. Cada um deles foi escolhido para liderar, por quatro meses, a seção de brinquedos de suas lojas. Alguns –como Adelina Alves de Souza, de 43 anos, uma ex-empregada doméstica de Bragança Paulista – que jamais haviam saído do local onde nasceram, passaram noites sem dormir pensando na responsabilidade e no desafio que teriam pela frente. Três anos antes, Adelina fora contratada pelo Magazine como faxineira. Agora, a superintendente lhe pedia para assumir o cargo de vendedora especial. “Fiquei matutando,com a cabeça no travesseiro: por que eu?”, lembra Adelina. “Até um ano atrás, só sabia varrer a loja...”
Em pé, abrindo os braços sem parar e convocando a platéia a se manifestar, Luiza Helena primeiro lança uma pergunta: “O que devemos fazer para que o Magazine Luiza venda mais brinquedos neste ano?” Ela espera por respostas, que chegam de todos os cantos do auditório. Que tal baixar o preço dealguns itens? Ou melhorar a exposição dos produtos? Ou aumentar o investimento em publicidade? Por que não montar uma área na loja para atrair as crianças? Fazer promoções relâmpagos? Luiza Helena pede que cada sugestão seja anotada. Discute todas elas. Depois passa a falar de coisas como valores, ética, atitude no trabalho, família, legado espiritual, felicidade, liderança e sucesso. “Esse é oprimeiro ensaio de liderança de cada um de vocês”, diz. “E só há uma forma de ter sucesso: tragam toda a equipe para o seu lado, sejam empreendedores, peçam ajuda, ajudem, acreditem em vocês. Nós acreditamos. É por isso que vocês estão aqui hoje”. A platéia vem abaixo.
Pode-se encarar o discurso acima como um daqueles chavões usados para motivar equipes. Pode-se escutá-lo com uma dose de cinismoou de ceticismo – sobretudo num momento em que a maior parte das corporações parece mais interessada em cumprir os orçamentos do
trimestre do que em investir em pessoas. A vendedora Adelina – assim como muitas outras pessoas presentes no auditório construído na sede da empresa – entendeu de outra forma. Ao final de um dia inteiro de reunião, ela se levantou e pediu para falar. A voz mal saía....
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