Socrates

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I. EXÓRDIDO
Não sei, Atenienses, que influência exerceram meus acusadores em vosso espírito; a mim próprio, quase me fizeram esquecer quem sou, tal a força de persuasão de sua eloqüência. Verdade, porém, a bem dizer, não proferiram nenhuma. Uma, sobretudo me assombrou das muitas eleivosias que assacaram: a recomendação da cautela para não vos deixardes embair pelo oradorformidável que sou.

II. DUAS CLASSES DE ACUSADORES

Com efeito, muitos acusadores tenho junto de vós, há muitos anos, que nada dizem de verdadeiro. Mais temíveis, porém, senhores, são aqueles, que, encarregando-se da educação da maioria de vós desde de meninos, fizeram-vos crer, com acusações inteiramente falsas, que existe certo Sócrates, homem instruído, que estuda os fenômenos celestes, queinvestigou tudo o que há debaixo da terra e que faz prevalecer a razão mais fraca.

Depois esses acusadores são numerosos e vêm acusando há muito tempo, as acusações eram feitas a inteira revelia, sem defensor algum. De tudo, o que tem menos sentido é não se poderem dizer nem saber o seu nome, salvo quando se trata, porventura, de um autor de comédias. O defensor é inevitavelmenteobrigado a combater como que sombras, a replicar sem tréplica. Em conclusão, concordai comigo em que meus acusadores são de duas classes; os que acabam de me acusar-me e os de antanho, a quem aludi; admiti, também, que destes deva me defender em primeiro lugar, pois que as acusações destes ouvido primeiro e muito mais que às dos últimos.

III. ACUSAÇÕES ANTIGAS




Recapitulemos,portanto, desde o começo, qual foi a acusação donde procede a calúnia contra mim, dando crédito à qual, me moveu Meleto o presente processo. “Sócrates é réu de pesquisar indiscretamente o que há sob a terra e nos céus, de fazer que prevaleça a razão mais e de ensinar aos outros o mesmo comportamento. Invoco o testemunho da maioria que vós mesmos,pedindo que vós informeis mutuamente, a ver se algum de vósme ouviu alguma vez discorrer, por pouco que fosse, sobre tais assuntos. Assim ficareis sabendo que é do mesmo estofo tudo o que mais que por ai se fala de mim.




IV. CIÊNCIA E MISSÃO DE SÓCRATES




Um de vós poderia intervir: “Afinal, Sócrates, qual é a tua ocupação? Donde procedem as calúnias a teu respeito? Naturalmente, se não tivesses uma ocupação muito fora do comum,não haveria esse falatório, a menos que praticasses alguma extravagância. Dize-nos, pois, qual é ela, para que não façamos um juízo precipitado.

Pois eu Atenienses, devo essa reputação exclusivamente a uma ciência. Qual vem a ser a ciência? A que é, talvez, a ciência humana.




V. A DENÚNCIA DE MELETO




“Sócrates é réu de corromper a mocidade e de não crer nosdeuses em que o povo crê e sim em outras divindades novas.

Diz que sou réu de corromper a mocidade. Mas eu, Atenienses, afirmo que Meleto é réu de brincar com assuntos sérios; por leviandade, ele traz a gente à presença dos juízes, fingindo-se profundamente interessado por questões de que jamais fez o mínimo caso.




VI. JUSTIFICAÇÃO DE SÓCRATES




Grave faltaAtenienses teria cometido eu, que, em Potidéia, em Antípolis e Délio, permaneci, como qualquer outro, no posto designado pelos chefes por vós eleitos para me comandar e ali enfrentei a morte, se, quando um deus, como eu acreditava e admitia, mandava levar vida de filósofo, submetendo a provas a mim mesmo e aos outros, desertasse o meu posto por temor da morte ou de outro mal qualquer. Seria grave eentão deveras com justiça me haveriam trazido ao tribunal pelo crime de não crer nos deuses, pois teria desobedecido ao oráculo por temor da morte e supondo ser sábio sem que o fosse.




VII. QUEM PERDERIA MAIS COM A CONDENAÇÃO




Estou, é verdade, para dizer outras coisas que talvez vos façam gritar, mas não façais isso de modo algum. Ficai certos de uma coisa: se me...
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