Sociologia

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  • Publicado : 19 de setembro de 2012
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Depois da participação da mídia na espetacularização do corpo feminino, em que as mulheres se tornam cúmplices da difusão dos estereótipos e dos preconceitos sociais sobre elas, tem-se como conseqüência a construção do perfil ?mulher objeto?.
Mas o que é um objeto? Pelo dicionário Larousse Cultural, é um bem material fabricado para atender a determinado uso. E é dessa forma que as mulherespassam a ser vistas. Não mais como um ser humano pensante, mas como algo que não tem vida, não tem sentimento, não tem opinião. A aparência feminina é o que resume esses valores pessoais. A mulher só tem serventia para usar o corpo instintivamente, já que racionalmente não tem nada a oferecer.
É reconhecida e auto-reconhecida pelas partes do seu próprio corpo, em que depois de ser usado pode serguardado ou descartado, perante as regras que são postas pela mídia ? ?Seja magra, tenha cabelos lisos, olhos claros, porque é assim que será considerada bonita?.Esses estereótipos são muito usados em propagandas de produtos de beleza. Os estereótipos são, na verdade, ótimos instrumentos de persuasão, já que mexem com toda uma história de vida de uma sociedade, com o conhecimento de mundo que ela tem.Quanto mais se chega perto da intimidade de uma mulher, mais fácil de convencê-la a fazer a novidade do momento: o alisamento japonês, por exemplo. É uma prática que deixa o cabelo liso por mais tempo, já que, ter o cabelo liso é imprescindível para estar inserida no grupo das belas mulheres brasileiras. É a tecnologia avançando para facilitar a vida dessas mulheres, tornando-as cada vez maislindas e cada vez mais ?coisificadas?. ?A mulher sempre foi uma classe dominada na ordem masculina tradicional?.Tornam-se descartáveis, principalmente para o sexo. Usou, não quer mais? Joga fora. Existem mais corpos disponíveis nesse mercado ?bundalizado?. Não se valoriza o conteúdo.
É a mulher como produto de consumo. É o erotismo estimulado nos discursos publicitários, tendo como exemplosclássicos as propagandas de cerveja.
Ela mesma se orgulha de sua função (?mulher objeto?) dentro desses espaços de propagação ideológica, pois se orgulha do que é valorizado (a bunda). Não está como um ser pensante e sim como um objeto de decoração apreciado por homens e mulheres. Trecho retirado da obra A Máquina de Narciso de Muniz Sodré.Mas esquecem que objetos não mudam, não envelhecem, não engordam.E quando se dão conta de que a ?perfeição? não dura para sempre, apelam para as cirurgias plásticas.
No Brasil, isso é alarmante, pois as mulheres, em desespero para continuarem a ser admiradas e invejadas, retardam o envelhecimento, fazem super dietas. A revista Época assinala:São as mulheres as mais preocupadas com os padrões de beleza. Graças a elas, o Brasil ocupa o primeiro lugar emcirurgias plásticas com fins estéticos a cada ano - 400 mil operações, sem falar em implantes de silicone e aplicações de toxina botulínica (Botox) e ácido hialurônico (Restylane), a febre do momento no combate às rugas.Um corpo almejado. Um corpo ?perfeito?. O domínio, a consciência de seu próprio corpo só puderam ser adquiridos pelo efeito do investimento do corpo pelo poder: a ginástica, osexercícios, o desenvolvimento muscular, a nudez, a exaltação do belo corpo.
Tudo isto conduz ao desejo do seu próprio corpo através de um trabalho insistente, obstinado, meticuloso, que o poder exerceu sobre o corpo das crianças, dos soldados, sobre o corpo sadio.O poder dos mass-media, com destaque a televisão, em construir e disseminar os discursos sociais faz com que se consolidem aspectos culturais deum país. No caso brasileiro, a cultura machista que ainda impera em pleno século XXI, sob a atuação dos atores sociais (homens, mulheres e mídia) citados na música que escolhemos porque reforça os estereótipos femininos que são, geralmente, depreciativos.
É dessa forma que surgem as ?mulheres objetos?, identificadas por suas bundas, generalizadas pelos seus atos, discriminadas pelas próprias...
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