Sociedadederiscos

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A relação homem-natureza: da sociedade primitiva a sociedade de riscos
A natureza é o elemento fundamental para a vida do homem, é dela que ele retira alimentos, moradia e tudo o que precisa para sobreviver. Deste modo cria-se uma relação (necessária para o ser humano) entre homem e natureza. Contudo, a mesma ao decorrer da história da humanidade e de acordo com cada grupo social e suas devidascrenças ganha significados diferentes, fazendo com que essa relação homem-natureza também se modifique nessa perspectiva.
No período antigo ou primitivo como coloca Clayson e Figueiredo, os homens pré-históricos utilizavam da natureza apenas o essencial para sua sobrevivência, através da caça, colheita, pesca e também usava as cavernas e as copas das árvores para se proteger do frio, chuva etc..Prova disso está nas pinturas rupestres encontradas no fundo das cavernas que demonstravam a intensa relação do homem com a natureza, onde segundo Carvalho (2003) as sociedades primitivas não se viam como algo distinto do meio natural, para elas haviam apenas as diferenças físicas e individuais, onde estas definiam unicamente as tarefas que cada ser desempenharia. Nessa visão pode-se dizer queessa relação sociedade e ambiente no período antigo, onde o homem constituindo-se o principal componente da sociedade era um ser nômade, de modo que o mesmo via o meio ambiente (enquanto meio natural) como fonte de sua subsistência. Nessa concepção o homem é tido como ser natural que compõe a natureza para que se configure seu todo, ou seja, o era tido como ser que assim como os animais configuravaa natureza, formando assim sua totalidade.
Nesta época reinavam os mitos e a magia, de modo que se atribuíram poderes sobrenaturais a alguns homens, os mesmos chamados de sacerdotes. De acordo com a concepção de Carvalho (2003), com o homem “controlador” das forças naturais, neste caso os sacerdotes, os mesmos ganharam um grande poder social, e desta forma as diferenças passaram a não sersomente biológicas, mas também sociais, constituindo assim um viés de “sociedades de classes”. Com o advento de tal sociedade, passou a existir uma visão de diferenciação entre o natural e o social.
A distinção de classes sociais e a adoção de uma outra hierarquia de valores sem dúvidas romperam com o esquema comunitário do chamado “mundo selvagem”. [...] Estabeleceu-se, todavia, uma diferençafundamental: exclusividade de manipulação dos poderes sobrenaturais pelos sacerdotes, reis, faraós e todo tipo de elite dominante e suas respectivas “cortes”. (CARVALHO, 2003, p.31).

Ainda na linha de pensamento do autor essa ruptura não se deu da mesma forma em todos os lugares, algumas sociedades como a egípcia ainda adotavam o mito, pois o que se firmou foram à exclusividade de usufruir danatureza pelos sacerdotes, reis, faraós e outros, e desta maneira a distinção entre homem e natureza começa a se intensificar. Com o surgimento da filosofia no século VI a.C e da polis na Grécia, as velhas concepções de natureza não tinham mais lugar, fazendo dos filósofos os mais novos conceituadores do natural, contudo os mitos ainda pairavam sobre as explicações destinadas a ela, porém já não maisagradavam a curiosidade das pessoas e dos filósofos, onde estes como Platão, Aristóteles, Sócrates, Tales, entre outros, com suas concepções de mundo afirmaram a separação do homem com a natureza. Aristóteles propôs definições da mesma como sendo tudo que não fosse criado pelo homem, seria uma matéria-prima e Tales de Mileto, foi o pioneiro na explicação de natureza livre do misticismo da época,onde os princípios de Aristóteles resistiram à passagem para uma sociedade Cristã.
Com a passagem para a era medieval essa ideia de natureza vista como fonte de subsistência foi rompida, pois a relação homem-natureza vem a se intensificar causando assim uma dissociação do homem com o seu meio natural, uma vez que o mesmo passa a vê-la de outra forma. Nesse período há uma fixação em local...
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