Sobre a verdade e a mentira

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  • Publicado : 16 de janeiro de 2013
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Fichamento da obra de Frederick Nietzsche, Sobre a verdade e a mentira no sentido extra moral.
O intelecto humano se faz efêmero, sombrio e lastimável, diante da situação em que é subordinado à existência da natureza em si, um astro que abriga esse intelecto pode, simplesmente de uma hora pra outra, deixar de existir, e todo esse existir humano o deixa de ser.
A missão desse intelecto serestringe unicamente à vida humana. Essa restrição faz do homem um ser um tanto quanto patético, por assim ser, e então o intelecto ser restrito à nossa raça. O autor faz a comparação entre o homem e um mosquito, onde o mosquito voa e gira no ar, tendo a si como seu centro, e assim seríamos nós.
Todavia, é da vaidade humana acreditar que o seu trabalho (no caso referindo-me metaforicamente aointelecto) seja o melhor, e o mais admirável, e dessa maneira, único.
O conhecer e o sentir funcionam como uma luz ofuscante às vistas humanas, onde ludibria o homem a respeito do valor que a existência tem de fato, o que traz ao homem valores sobre o seu próprio conhecimento sobre si. Daí constitui-se um engano.
Dessa maneira, a conservação do intelecto é feita a partir da dissimulação, pois é esse omodo em que os fracos estabilizam-se, pela necessidade de se manter num determinado patamar dentre os outros.
Com isso, forma-se uma “lei”, a lei de existir um impulso quase que inerente ao nosso ser de encobrir a verdade. A mentira não leva a um conhecimento profundo, mas a satisfação imediata já é tida como algo “bastante”. Assim, sem esse conhecimento profundo, o homem não é capaz deperceber, nem a si próprio, pois perde a curiosidade a qual traz o conhecimento – a verdade-, anulando ironicamente o seu intelecto ao qual tenta se estabelecer, através da mentira.
Ora, sendo assim, de onde vem esse impulso contrário à verdade? O homem em seu estado natural usa de seu intelecto para preservar-se, dissimulando. Diante da necessidade de viver em sociedade, faz-se um acordo de paz. E éesse acordo o precursor daquele impulso à verdade.
A verdade vem a ser “uma designação uniformemente válida e impositiva das coisas, sendo que a legislação da linguagem fornece também as primeiras leis da verdade” (p.29), havendo então o primeiro impasse entre verdade e mentira. O mentiroso usa das palavras para formar seu cenário, afirma algo sendo que a verdade é o seu contrário. Éindividualista, nocivo, arbitrário, e por assim ser, passa a ser objeto de desconfiança da sociedade, causando sua possível exclusão desta posteriormente.
O problema em si não é o engano, e sim suas consequências. Evita-se muito mais a lesão que o engano por si só. O homem espera e quer apenas a verdade, visto que suas consequências são agradáveis, esperadas. À verdade o homem é indiferente, à mentira ohomem é hostil.
A linguagem viria a ser a expressão da realidade? A menção é tanto verdade que só não a é caso alegue ser esquecida. “A palavra é um estímulo nervoso em sons” (p. 31), mas a dedução desse estímulo nervoso já faz com que perca parte de sua credibilidade como palavra. Assim, se fosse decisiva, a verdade, não poderia ser afirmada a partir de prerrogativas advindas de estímulos, como ovisual, por exemplo. A arbitrariedade também tanto está presente nas palavras quanto a algo se referir única e exclusivamente à outra coisa, e não à semelhante, por pura determinação. A linguagem é única em seu idioma pelos inúmeros significados que a palavra carrega em cada um, o criador desses idiomas não se preocupava com a verdade trazida, mas sim com a compreensão de seu designo, com suaexpressão e compreensão.
Desse modo, a linguagem nada mais é que a metáfora das coisas como são, e não as coisas em si, sua essência.
A palavra ao surgir, é por si só um conceito sobre a coisa a qual se refere, existindo então exclusivamente para aquilo, pode ainda significar para coisas semelhantes e até diferentes, o autor compara a palavra a uma folha de uma árvore, onde será sempre uma folha,...
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