Sobre “imagem”, de dietmar kamper

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Sobre “IMAGEM”, de Dietmar Kamper

O autor inicia o texto citando Hölderlin e apresentando a etimologia da palavra alemã “Bild” (imagem), a qual teria o sentido tanto de “ser” e “forma” como de “imagem, cópia, reprodução”, mas também “certo, justo”. A partir da origem da palavra, inicia uma reflexão sobre os sentidos da imagem e sua possibilidade de ser uma representação perfeita de algo (quando ganha a forma de algo) ou uma representação apenas semelhante a algo. Haveria uma certa “magia” nessa capacidade da imagem de representar – perfeitamente ou não – alguma outra coisa a partir de sua forma. Kamper defende que a razão, mesmo enquanto produtora de signos, não é capaz de preencher o vazio deixado em uma imagem. Acrescenta que o aspecto “mágico” da imagem, como aquilo que dá forma e ganha forma, aparecia também na palavra grega “eikon” e no latim “imago”, mas que a filosofia grega e judaico cristã acabou por afastar da noção de imagem seu sentido de magia. É o caso de Platão, que separou radicalmente ideia e imagem, relegando à imagem e à imaginação ao campo do ilusório, entendido como inferior às ideias. Tanto “eikon” como “imago” possuíam também o sentido de um reflexo e vinha daí expressões como imago Dei (“à imagem de Deus”). Esse sentido de imagem como reflexo de algo trouxe uma conotação dúbia, pois a imagem pode ser vista como algo que apenas representa ou aponta para outra coisa superior à própria imagem, pois dessa outra coisa – ainda que Deus – é apenas cópia. Daí também, por outro lado, o poder da imagem idolatrada e o medo e a violência que poderia suscitar, pois mesmo sendo a cópia de outra coisa, a imagem pode dar forma a algo superior a si mesma e, nesse sentido, ser poderosa ou mágica. Assim, em certo sentido, tanto a idolatria suscitada por imagens religiosas, quanto a aversão de iconoclastas, são duas posturas opostas mas somente explicadas pelo poder “mágico” da imagem – ela não pode ser apenas ignorada. Três são as funções da imagem

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