Sobre “imagem”, de dietmar kamper

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  • Publicado : 2 de abril de 2013
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Sobre “IMAGEM”, de Dietmar Kamper

O autor inicia o texto citando Hölderlin e apresentando a etimologia da palavra alemã “Bild” (imagem), a qual teria o sentido tanto de “ser” e “forma” como de “imagem, cópia, reprodução”, mas também “certo, justo”. A partir da origem da palavra, inicia uma reflexão sobre os sentidos da imagem e sua possibilidade de ser uma representação perfeita de algo(quando ganha a forma de algo) ou uma representação apenas semelhante a algo. Haveria uma certa “magia” nessa capacidade da imagem de representar – perfeitamente ou não – alguma outra coisa a partir de sua forma.
Kamper defende que a razão, mesmo enquanto produtora de signos, não é capaz de preencher o vazio deixado em uma imagem. Acrescenta que o aspecto “mágico” da imagem, como aquilo que dá formae ganha forma, aparecia também na palavra grega “eikon” e no latim “imago”, mas que a filosofia grega e judaico cristã acabou por afastar da noção de imagem seu sentido de magia. É o caso de Platão, que separou radicalmente ideia e imagem, relegando à imagem e à imaginação ao campo do ilusório, entendido como inferior às ideias.
Tanto “eikon” como “imago” possuíam também o sentido de um reflexoe vinha daí expressões como imago Dei (“à imagem de Deus”). Esse sentido de imagem como reflexo de algo trouxe uma conotação dúbia, pois a imagem pode ser vista como algo que apenas representa ou aponta para outra coisa superior à própria imagem, pois dessa outra coisa – ainda que Deus – é apenas cópia. Daí também, por outro lado, o poder da imagem idolatrada e o medo e a violência que poderiasuscitar, pois mesmo sendo a cópia de outra coisa, a imagem pode dar forma a algo superior a si mesma e, nesse sentido, ser poderosa ou mágica. Assim, em certo sentido, tanto a idolatria suscitada por imagens religiosas, quanto a aversão de iconoclastas, são duas posturas opostas mas somente explicadas pelo poder “mágico” da imagem – ela não pode ser apenas ignorada.
Três são as funções da imagemapontadas por Kamper: a de presença mágica, a de representação hábil e a de simulação técnica. Não que essas sejam funções necessariamente isoladas, pois muitas vezes misturam-se entre si. O autor reconhece um fenômeno que chama de “substituição do real pelo imaginário”, onde os homens vivem em suas imagens e em sua imaginação: em sua ilusão, em suma, como “mortos-vivos” por viver a partir de algoque em si mesmo não tem vida. Retoma Platão, ao dizer que estamos dentro de uma nova caverna, cuja fuga é ainda mais complicada que aquela apontada pelo filósofo grego, pois agora a razão é inútil contra o imaginário, sendo somente a própria imaginação uma alternativa. De certo modo, defende Kamper, viveríamos um tempo onde o imaginário já dominou os campos que antes eram ocupados pelaracionalidade[1].
Haveria na relação com a imagem algo de muito basilar para o humano: a imagem e a imaginação são meios de lidar com a morte, de simbolizar e negar a morte. São dois os axiomas apontados pelo autor: “enquanto imagem, os homens são imortais; sem imagens, eles poderiam ser mortais” (p.22). Tornar algo imagem é procurar fixar como permanente e estático aquilo que na verdade é finito einstável, como a própria vida humana. A busca pela imagem está também relacionada com a tentativa de fixar algo na memória, mas aí haveria sempre o paradoxo de que o imaginário é muitas vezes mias fantasia do que representação, de modo que lembrar se converteria em inventar.
No entanto, ainda que a imagem possa surgir do próprio medo e da negação da morte, da busca do desejo pela eternidade e emrevolta vingativa contra a finitude, seria ainda mais difícil uma existência sem imagem. A imagem surge como um símbolo necessário dentro da encenação que faz parte da vida. Renunciar a imagem seria dar peso demasiado às palavras, correndo o risco de perder o sentido daquilo que as palavras dizem – pois, afinal, também as palavras são signos que apontam para algo para além delas.
Na medida em que...
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