Siderurgia verde

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 20 (4794 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 7 de novembro de 2011
Ler documento completo
Amostra do texto
Siderurgia Verde
Como ampliar a participação de energia renovável, via carvão vegetal, na siderurgia brasileira. ¹

É indiscutível a importância do aço para a sociedade atual. Todavia, o processo de fabricação desse importante componente da vida moderna é consideravelmente intensivo em capital, uso de recursos naturais e em energia. Esse último aspecto implica na utilização de grandesquantidades de combustíveis, levando a níveis de emissão de poluentes que colocam a siderurgia como responsável por cerca de 4% a 6% de todas as emissões antropogênicas de CO2, principal vilão do efeito estufa (MEIJER, 2008). Deste total, cerca de 80% tem sua origem na operação dos altos-fornos, equipamento responsável pela produção do ferro primário (gusa) e que utiliza basicamente combustíveis deorigem fóssil (carvão e coque) como termorredutor. Este artigo aborda alguns dos aspectos da produção de ferro primário via carvão vegetal.
O Brasil é atualmente o maior produtor de gusa a carvão verde do mundo, num parque formado por mais de 150 mini altos-fornos e dezenas de empresas, apresentando diferentes níveis de evolução tecnológica e operacional. Além dos mini altos-fornos, algumas usinasintegradas também operam utilizando o carvão vegetal como termorredutor. As usinas integradas brasileiras a carvão vegetal, todas localizadas em Minas Gerais, produzem tanto aços ao carbono como aços especiais, sendo elas: Vallourec Mannesmann, Gerdau Divinópolis, Gerdau Barão de Cocais e Arcelor Mittal Inox. A Gusa Nordeste, em Açailândia (MA), até então uma produtora de gusa de mercado, tem emplena construção uma aciaria a oxigênio e provavelmente ainda em 2011 estará produzindo aços ao carbono, utilizando como matéria-prima principal o gusa produzindo com energia nacional renovável.

Figura 1: Mini alto-forno acoplado a central termoelétrica para cogeração de energia usando gás de topo.

As usinas elétricas semi-integradas (ou miniusinas), que tem como principal fonte de materialmetálico a sucata sólida, também usam significativas quantidades de gusa, seja sólido ou mesmo líquido, desta maneira fazendo uso de energia nacional renovável (carvão vegetal renovável ao invés de carvão mineral de origem fóssil importado) JUNIOR, 2004. Por exemplo, a Arcellor Mittal Juiz de Fora e a futura Vallourec & Sumitomo do Brasil (VSB), percebendo os benefícios da utilização de cargalíquida em fornos elétricos a arco, tem parte de sua carga composta por gusa produzido em mini altos-fornos a carvão vegetal.
Com isso, muitos especialistas defendem tanto as usinas integradas a carvão vegetal como as aciarias elétricas brasileiras produzem o “Aço Verde”, logicamente sempre seguindo as melhores práticas de clonagem, plantio e manejo. Da mesma forma, os produtores independentes degusa no Brasil operam com carvão vegetal, fornecendo gusa verde para o mercado brasileiro e internacional, contribuindo para melhorar a sustentabilidade da siderurgia local e em outros países.

Figura 2: Viveiro de mudas.

Figura 3: Colheita mecanizada da madeira para produção de carvão vegetal.
Em contrapartida, as grandes usinas nacionais integradas operam grandes altos-fornos a coque parasatisfazer os elevados níveis de produção desejados (da ordem de milhões de toneladas anuais), praticamente inviáveis utilizando altos-fornos a carvão vegetal. Tanto o coque utilizado junto a carga quanto o carvão mineral injetado pelas ventaneiras têm origem fóssil e importada, considerado por muitos como de fragilidade estratégica, já que a siderurgia é uma indústria de base. No entanto, ascondições brasileiras e experiências anteriores indicam claramente que significativas percentagens de energia renovável nacional, na forma de carvão vegetal, podem participar do processo produtivo nas grandes usinas nacionais a coque. Para tanto, temos no Brasil conhecimento, experiência, tecnologia e engenharia, além, logicamente, de condições naturais privilegiadas.

Figura 4: Plantação de...
tracking img