Sicologia uma nova introducao

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FIGUEIREDO, L.C.M. e SANTI, P.L.R. – Psicologia: uma (nova) introdução – São Paulo: Educ, 1997



A PSICOLOGIA COMO CIÊNCIA INDEPENDENTE

Uma visão panorâmica e crítica

E muito freqüente que os livros que tratam da história da psicologia comecem falando da filosofia ocidental desde os gregos e continuem, já nas épocas mais recentes, com físicos, fisiólogos e filósofos em cujas idéiaspodem ser encontrados elementos que hoje fazem parte do domínio da "psicologia científica".

O objetivo do presente texto, contrariando a regra acima, é apresentar resumidamente uma visão panorâmica e crítica da psicologia contemporânea.

Na verdade, só em época muito recente surgiu o conceito de ciência tal como hoje é de uso corrente, e foi ainda mais recentemente que começaram a serelaborados os primeiros projetos de psicologia como ciência independente. Ou seja, só a partir da segunda metade do século XIX surgiram homens que pretendiam reservar aos estudos psicológicos um território próprio, cujo êxito se fez notar pelos discípulos e espaços conquistados nas instituições de ensino universitário e de pesquisa.

Só então passou a existir a figura do psicólogo e passaram a sercriadas as instituições voltadas para a produção e transmissão de conhecimento psicológico.

É claro que o processo de criar uma nova ciência é muito complexo: é preciso mostrar que ela tem um objeto próprio e métodos adequados ao estudo desse objeto, que ela é, enfim, capaz de firmar se como uma ciência independente das outras áreas de saber.

Para a psicologia, a questão era extremamentecomplicada, já que todos os grandes sistemas filosóficos desde a Antiguidade incluíam noções e conceitos relacionados ao que hoje faz parte do domínio da psicologia científica, como o comportamento, o "espírito" ou a "alma" do homem. Já na Idade Moderna, físicos, anatomistas, médicos e fisiólogos trataram de diversos aspectos dos comportamentos involuntários e mesmo de comportamentos voluntários dohomem, ou seja, daqueles que, ao menos aparentemente, revelariam a presença de um "espírito" por detrás das ações humanas. Também na Idade Moderna, particularmente no século XIX, começaram a se constituir as ciências da sociedade, como a Economia Política, a História, a Antropologia, a Sociologia e a Lingüística. Essas ciências também tratavam das ações humanas e das suas obras, em particular doscomportamentos humanos mais importantes para a sociedade e que dependiam fundamentalmente das condições históricas e sociais de uma dada comunidade. Nesta medida, os temas da psicologia estavam dispersos entre especulações filosóficas, ciências físicas e biológicas e ciências sociais. 0 que restaria para uma psicologia como ciência independente? Nada!

Embora, à primeira vista, possa parecersurpreendente, esta foi exatamente a resposta de um importante filósofo francês do século XIX, Auguste Comte (1798 1857). No seu sistema de ciências não cabe uma "psicologia" entre as "ciências biológicas" e as "sociais". O principal empecilho para a psicologia seria seu objeto: a "psique", entendida como "mente" não se apresenta como um objeto observável, não se enquadrando, por isto, nasexigências do positivismo. É bem verdade que o próprio Comte, num certo momento, reconhece a possibilidade de uma psicologia, mas sempre como uma área de conhecimento parcialmente dependente ou da biologia ou da sociologia. Ainda hoje, após mais de cem anos de esforços para se criar uma psicologia científica, os estudos psicológicos mantêm relações estreitas com muitas ciências biológicas e com muitasciências sociais, Isto parece ser bom e, na verdade, indispensável! Mas várias vezes é mais fácil, por exemplo, um psicólogo experimentalista que trabalha em laboratórios com animais, tais como o rato e o pombo, entender se com um biólogo do que com um psicólogo social que estuda o homem em sociedade. Este, por sua vez, poderá ter diálogo mais fácil com antropólogos e lingüistas do que com muitos...
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