Searle

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  • Publicado : 13 de maio de 2011
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A perspectiva de John Searle relativamente ao tema: Determinismo versus liberdade

John Searle equaciona o problema da liberdade da seguinte forma: “Se ou não, as causas da nossa conduta, sejam elas quais forem, são suficientes para determinar a conduta de maneira que as coisas têm de acontecer da maneira como acontecem.”

Segundo este pensador estamos perante um enigma filosóficocaracterístico: “Por um lado, um conjunto de argumentos muito poderosos força-nos à conclusão de que a vontade livre não existe no Universo. Por outro, uma série de argumentos poderosos baseados em factos da nossa própria experiência inclina-nos para a conclusão de que deve haver alguma liberdade da vontade, porque aí todos a experimentamos em todo o tempo.”

John Searle expõe do seguinte modo os argumentosque apoiam o determinismo físico: Os dados científicos mostram que os factos acerca de nós, incluindo os estados mentais e os actos intencionais, “ (…) são inteiramente e causalmente explicáveis em termos de e inteiramente realizáveis em sistemas de elementos ao nível microfísico fundamental”. Ou seja, qualquer estado de consciência, incluindo a vontade, o livre arbítrio, é o produto daactividade cerebral. Os estados mentais são características superiores causadas por microprocessos inferiores que se produzem no cérebro. No cimo do sistema temos a consciência, a intencionalidade, a intenção, a decisão. Na parte inferior do sistema temos os neurónios, as sinapses, os impulsos eléctricos e os neuro-transmissores. Mesmo quando a mente age sobre o corpo (como no caso da intenção e do actofísico correspondente de levantar o braço) isso só é possível por intermédio e nos processos químicos e eléctricos que se produzem nesse momento. Deste modo, o determinismo físico é extremamente difícil de refutar, pois a explicação física do universo mostra que, neste último, tudo se pode explicar em termos de partículas e suas relações, bem como de leis que governam os movimentos das mesmaspartículas. E, por outro lado, não há nenhuma prova de que exista uma espécie de energia mental que tenha o poder de influenciar o comportamento dessas partículas. (um “ si mesmo”, um Eu independente do corpo).

Assim, do ponto de vista físico, não existe espaço para a liberdade humana.

Já o determinismo psicológico pode ser refutado. Esta concepção defende que a experiência comum que temos daliberdade é ilusória. Para esta teoria, “as causas psicológicas prévias determinam todo o nosso comportamento da mesma maneira como determinam o comportamento do sujeito sob hipnose ou o viciado em heroína”, “todo o comportamento, de um ou outro modo, é psicologicamente compulsivo.”

John Searle refuta o determinismo psicológico do seguinte modo:

Se é certo que as pessoas que agem sobre os efeitosde hipnose ou de impulsos inconscientes não são livres, também é certo que esses casos “são habitualmente patológicos e facilmente distinguíveis da acção livre normal.”

Por outro lado, agimos normalmente com base nos nossos estados mentais – crenças, esperanças, temores, desejos, razões, etc. – e, nesse sentido os nossos estados mentais funcionam causalmente. Mas esta forma de causa e efeitonão é determinística. ” Poderíamos ter tido exactamente esses estados mentais e, apesar de tudo, não termos feito o que fizemos. Tanto quanto às causas psicológicas diz respeito, poderíamos ter agido de outra maneira. ( …) Assim, psicologicamente falando, existe espaço para a liberdade humana.

Por outro lado, existem argumentos a favor da liberdade da vontade. Há uma prova empírica da nossaliberdade e que diz respeito “ à possibilidade que sempre nos cabe de falsificarmos quaisquer predições que alguém possa ter feito acerca do nosso comportamento. Se alguém prediz que eu vou fazer alguma coisa, posso muito bem não fazer essa coisa. Ora bem, este tipo de opção não está à disposição dos glaciares que se movem pelas montanhas abaixo ou das bolas que rolam em planos inclinados, ou dos...
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