Roveri - barbie e as meninas

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A BONECA BARBIE E A EDUCAÇÃO DAS MENINAS – UM MUNDO DE DISFARCES ROVERI1, Fernanda Theodoro – UNICAMP – ferdth@yahoo.com.br GT: Gênero, Sexualidade e Educação / n.23 Agência Financiadora: CENP Duas bonecas Barbie são compradas, a cada segundo, em algum lugar do planeta2. Com a troca constante de embalagens e o visual adaptável às diferentes etnias, a boneca norte-americana construiu uma memóriado mundo em quase meio século de existência. Sempre mostrando seu sucesso atrelado à beleza e a um comportamento jovem e consumista, Barbie atingiu o Novo Milênio com o status de boneca mais vendida no mundo. Mas, o que poucos sabem, é que Barbie tem uma descendência alemã e é fruto de um modelo feminino ideal do pós-guerra. Ruth Handler e Elliot Handler foram os fundadores da empresa de brinquedosque fabrica a Barbie, a Mattel. Em 1956, o casal passava as férias com a família na Suíça quando Ruth, fazendo compras com sua filha adolescente, viu uma boneca que não conhecia. A menina quis comprá-la para enfeitar seu quarto e a mãe levou duas bonecas para a filha e uma para entregar aos executivos da Mattel, pois havia vislumbrado a possibilidade de fabricar uma boneca com corpo adulto, comohá anos desejava criar. A boneca se chamava Lilli, era personagem de caricaturas do jornal alemão BildZeitung. Lilli apresentava-se como uma derrotada no pós-guerra que fazia de tudo para trazer de volta sua prosperidade: estampada nas histórias de maneira pornográfica, ela costumava perseguir homens ricos em busca de dinheiro e sucesso. Transformada em boneca, Lilli era uma espécie de mascotepara os homens adultos. Vendida em bares e tabacarias, Lilli não era direcionada para crianças; a boneca ficava sentada com as pernas abertas em um balanço ou em um burrico e servia tanto para ser colocada no painel do carro como um presente para as namoradas no lugar de flores3. Lilli é então precursora da Barbie (nome dado em homenagem à filha de Ruth, Barbara). Lançada no mercado em 1959, Barbieera apresentada como uma modelo adolescente que tinha uma vida real. Mas Ruth Handler procurou se esforçar para adequar
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Mestranda em Educação pela Faculdade de Educação (Grupo de Pesquisa: OLHO – Laboratório de Estudos Audiovisuais). Orientadora: Profa. Dra. Carmen Lúcia Soares. 2 Lord, M.G., 2004, p.7 3 Para mais informações a respeito da Lilli, ver as obras de STEINBERG (2001) e LORD (2004). 2 sua réplica a um padrão de garota norte-americana “respeitável”. Para evitar a semelhança entre as bonecas, a Mattel contratou um maquiador profissional da Universal Pictures, responsável por “deserotizar” a face de Lilli4; um engenheiro de mísseis do Pentágono ajudou a desenvolver brinquedos de alta tecnologia, chegando a patentear as articulações do corpo da boneca. Charlotte Johnson,estilista e veterana da moda, fabricou os trajes da Barbie, impondo-lhe o seu próprio jeito imponente de vestir-se. E ainda, um diretor de pesquisa motivacional foi contratado para elaborar um pacote de propagandas que sanasse a insegurança e o ódio que as mães tinham em relação a uma boneca adulta. A criança foi descoberta como consumidora em potencial após a Segunda Guerra Mundial, época em que aMattel consagrava-se como pioneira no uso de técnicas de marketing e comerciais voltados ao público infantil. Se antes a venda de brinquedos era direcionada aos pais, com o lançamento da Barbie, os comerciais capturavam a menina para que ela mesma tivesse os argumentos necessários para convencer os adultos a comprarem a boneca. Um desses argumentos era o de que Barbie, com toda sua elegância, ajudavameninas travessas a se comportarem como pequenas damas.5 Assim, as propagandas iniciais da boneca sempre foram testadas antes com um grupo de meninas e, se o comercial não lhes chamasse a atenção, não era veiculado na rede televisiva. Desde que nascem, as crianças vivenciam certas experiências sociais que são determinadas pelo fato de serem meninos ou meninas. Felipe (2003, p. 125) nos mostra...
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