Roteiro do livro o pagador de promessas

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1º Ato
Zé vai até o centro da praça e aí pousa sua cruz. Está exausto. Enxuga o suor da testa.

[Olhando a igreja ] É essa. Só pode ser essa.
[Rosa pára também , junto aos degraus , cansada ]
ROSA
E agora ? está fechada.

É cedo ainda. Vamos esperar que abra.
ROSA
[ Olha-o com raiva e vai sentar-se num dos degraus. Tira o sapato.] Estou com cada bolha d’água no pé que dá medo.ZÉ
Acho que meus ombros estão em carne viva.
ROSA
Bem feito. Não quis colocar almofadinhas como eu disse.

Não era direito. Eu prometi trazer a cruz nas costas como Jesus , e ele não usou almofadinhas.
ROSA
Não colocou porque não deixaram.
[Zé sobe um ou dois degraus. Examina a fachada da igreja à procura de uma descrição.]
ROSA
O que você está procurando?

Qualquer coisa escritapra saber se essa é mesmo a igreja de santa bárbara.
ROSA
É claro que é essa. Não lembra o que o vigário disse? Uma igreja pequena , numa praça ,perto duma ladeira...

E se não for essa? Se tivesse alguém pra perguntar ...
ROSA
Essa hora está todo mundo dormindo ... porque não procuramos um lugar pra dormir ?

E a cruz? Não posso deixá-la aqui ... e se roubarem?
ROSA
Mas você jápagou a promessa. Trouxe a cruz da roça até a igreja. Não é culpa sua se ela está fechada ...

Mas aqui não é a igreja. A igreja é da porta pra dentro .
ROSA
Oxente! Agora vou ter que dormir no chão, no “hotel do padre”.[Olha-o com raiva e deita-se em um dos degraus da igreja.] E se tudo isso fosse por algo que valesse apena ...
[rosa ajeita-se no degrau , enquanto Zé , não menos cansado ,acaba cochilando , montando guarda à sua cruz. Subitamente , interrompem na praça Marli e Bonitão. Descem a ladeira, ela na frente , a passos rápidos. Ele a segue, como se viessem já de uma discussão .]
BONITÃO
Espere. Não adianta andar depressa.
MARLI
É melhor discutirmos isso em casa.
BONITÃO
[Alcança-a e segura-a violentamente pelo braço ] Não , vamos resolver aqui !
MARLI
[ Livra-sedele com uma safanão ] Estúpido !
BONITÃO
Passe pra cá o dinheiro ...
MARLI
[Tira do bolso uma maço de dinheiro e entrega a ele.]
BONITÃO
Só deu isto?
MARLI
Só. A noite não foi boa.
BONITÃO
[Retira do bolso dela uma nota ] Sua vaca ! [Ameaça-lhe dar um safanão, e ela se refugia atrás da cruz. Zé desperta do seu cochilo.]
BONITÃO
Quero que você vá para casa.
MARLI
Você não vaicomigo?
BONITÃO
Não. Vá na frente que daqui a pouco apareço por lá. [Bonitão mostra-se intrigado com a cruz no meio da praça. Só então dirigi-se a Zé] É sua? É encomenda?

Sim é minha. Na verdade foi promessa que eu fiz .
BONITÃO
[Nota que Marli ainda não se foi] O que você ainda está fazendo aí ?
[Marli fita-o com ódio e sai bruscamente.]

O senhor é marido dela?
BONITÃO
Não, souassim uma espécie de fiscal do imposto de renda. [ Sobe, como se fosse sair , mas detém-se diante de Rosa, cujo vestido levantado , mostra um palmo de coxa.]
ROSA
[ Abre os olhos, sentido que está sendo observada] Que é?
BONITÃO
Não deve ser nada confortável essa cama ...
ROSA
E eu que agüente este batente duro até Deus sabe lá que horas ...
BONITÃO
Eu posso, arranjar para vocês uma boacama, com colchão de mola, num hotel perto daqui.

Eu não posso. Tenho que esperar a igreja abrir. Dormir em hotel não estava no trato.
BONITÃO
E sua senhora está no trato?

Rosa? Não ela pode ir... que é que você me diz Rosa?
ROSA
Quero não, Zé. Prefiro ficar aqui com você.

Pra que Rosa? Assim você vai logo descansar ... não precisa ficar aí deitada nesse batente frio .
ROSA[Inicia-se a saída. Pára, hesitante. Pressente o perigo que vai correr. Procura , com o olhar, fazer Zé compreender o seu receio.] Zé ...
BONITÃO
[ Interrompe Rosa. Dirige-se a Zé.] Depois eu volto pra lhe dizer o número do quarto dela. Volto num minuto.

Está bem . [ Senta-se ao pé da cruz e procura uma maneira de apoiar o corpo sobre ela. Aos poucos, é vencido pelo sono. As luzes se...
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