Rio 20

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Conferência mundial Rio +20 e a hipocrisia ambiental
segunda-feira 11 de junho de 2012, por Barbara Mengardo
Estudos indicam que países não cumpriram as decisões da Rio–92 sobre o desenvolvimento sustentável.


Tema que há não muito tempo tomou o nosso dia a dia, o Desenvolvimento Sustentável será a estrela principal da próxima conferência da Organização das Nações Unidas (ONU), programadapara acontecer entre os dias 13 e 22 de junho na cidade do Rio de Janeiro. A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, também conhecida como Rio+20, reunirá representantes dos 193 Estados-Membros das Nações Unidas para debaterem temas como mudanças climáticas, desmatamento e proteção aos mares e florestas, a fim de tirar uma agenda de ações globais. O encontro, no entanto,está à frente de uma série de críticas antes mesmo de acontecer. Muitos estudiosos e ativistas na área ambiental não acreditam na eficácia das conferências da ONU, e temem que o Rio de Janeiro possa ser palco, em junho, de mais um teatro, onde os líderes de Estados e as corporações se eximam de suas responsabilidades na destruição do meio ambiente.

zero DRAFT

Seu nome já explica: a Rio+20acontece 20 anos após a Rio-92, conferência que, em 1992, difundiu o termo desenvolvimento sustentável. O objetivo do segundo encontro seria, desta forma, o de avaliar os progressos, aprimorar as ações que levam ao desenvolvimento sustentável e discutir novos temas que surgiram de lá para cá.

Esse propósito, no entanto, sofreu alterações, conforme explica Fátima Melo, da ONG FASE - Solidariedade eEducação: “A Rio+20 de início se propunha a fazer a revisão dos tratados e convenções criados na Rio-92, e lançar uma nova agenda. O principal era fazer essa revisão para ver as lacunas que tinham ficado, mas esta agenda caiu, porque os governos não querem ficar expostos ao fato de não terem implementado o que se propuseram há 20 anos”. Estudiosos da questão ambiental afirmam que, desde a Rio-92,os países realizaram nenhuma ou quase nenhuma mudança na maneira como se relacionam com o meio ambiente. Segundo o sociólogo Michael Löwy, apenas mudanças superficiais foram promovidas: “Enquanto a crise ecológica se agrava, os governos - para começar o dos Estados Unidos e dos demais países industrializados do Norte, principais responsáveis do desastre ambiental - desenvolveram, em pequenaescala, fontes energéticas alternativas, e introduziram mecanismos de mercado perfeitamente ineficazes para controlar as emissões de CO2. No fundo, continua o famoso business as usual, que, segundo cálculo dos cientistas, nos levará a temperaturas de 4° ou mais nas próximas décadas”. Devido ao fato de muito pouco ter mudado desde 1992, os governos optaram por deixar de lado o objetivo principal daRio+20. Esse fato se torna explícito no Zero Draft, documento lançado em janeiro desse ano que traz um compilado de propostas, e guiará as discussões em junho. O Zero Draft reuniu em 19 páginas todas as propostas enviadas pelos Estados membros das Nações Unidas, e é considerado uma prévia do que será a Rio+20. O documento não trata apenas de temas diretamente ligados ao meio ambiente, e toca emassuntos como erradicação da pobreza, igualdade de gênero, direitos dos povos indígenas, etc. Suas páginas são recheadas de constatações que até hoje nunca saíram do papel nem mesmo entre os países pertencentes à ONU, e reafirma temas que tantas vezes já foram tratados em outras conferências. Por estes e outros motivos o Zero Draft é alvo de críticas: “O que mais me impactou (no esboço zero) é que ospaíses não reconheceram aqueles princípios que eles próprios constituíram e foram signatários. É um esquecimento propositado para justificar a reafirmação de um modelo que é exatamente o que tem causado problemas históricos para todas as populações”, afirma Iara Pietricovsky, do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc). Fátima exemplifica um importante princípio que pode ser deixado para trás...
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