Resumo

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  • Publicado : 15 de abril de 2013
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Psicogênese da língua escrita: O que é? Como intervir em cada uma das hipóteses? Uma conversa entre professores
RESUMO
Nas séries iniciais o que acontecia era uma preparação para a escrita, principalmente cópia ou ditado de palavras que já foram memorizadas. Primeiro elas copiavam sílabas, depois palavras e frases e só mais tarde eram solicitadas a produzir escritas de forma autônoma.
Aconcepção tradicional de alfabetização priorizava o domínio da técnica de escrever, não importando o conteúdo. Textos que não faziam sentido como: “O boi bebe”, “Ivo viu a uva” e outros, eram utilizados para que as crianças fizessem cópias. Essas atividades eram realizadas com o único objetivo de “ensinar a ler e escrever”, pois se acreditava que se aprendia a ler e a escrever memorizando sons,sílabas e letras. Tudo que era produzido pelos alunos precisava ser controlado, pois as crianças não tinham autonomia para escrever livremente, e para escrever qualquer palavra, era preciso que primeiro as crianças conhecessem as letras e famílias silábicas necessárias para escrevê-las.
           Escritas espontâneas não eram permitidas, uma vez que as crianças deveriam escrever exclusivamente paraacertar, sem nenhuma intenção de refletir sobre a escrita. Toda a produção deveria ser constantemente corrigida.
            Ferreiro e Teberosky (1979) apontam que, tradicionalmente, o problema da alfabetização tem sido exposto como uma questão de método, e a preocupação seria de buscar o “melhor e mais eficaz método para ensinar a ler e escrever”. A prática por muito tempo foi fundamentada portrês tipos de métodos: os sintéticos, os analíticos e os analítico-sintéticos. Embora houvesse divergência entre os três, ambos percebiam a aprendizagem do sistema de escrita alfabética como uma questão mecânica. A escrita era concebida como uma transcrição gráfica da linguagem oral (codificação), e a leitura, como uma associação de respostas sonoras a estímulos gráficos, uma transformação do escritoem som (decodificação). Essas práticas de ensino da língua escrita pressupunham uma relação quase que direta com o oral; as progressões clássicas, começando pelas vogais, depois combinações com consoantes, até chegar à formação das primeiras palavras por duplicação dessas sílabas, “era” o que podemos chamar de processo ideal para se alfabetizar.
            As autoras supracitadas também apontamque, nas décadas de 1960/1970, surgiram mudanças significativas no que concernia à maneira de compreender os processos de aquisição/construção do conhecimento e da linguagem na criança. Foi nessa época que se passou a considerar que a escrita era uma maneira particular de “notar” a linguagem e que o sujeito em processo de alfabetização já possuía considerável conhecimento de uma língua materna.Aqui no Brasil, a teoria do conhecimento empirista dominou tudo o que se fez em alfabetização, até a publicação do livro Psicogênese da língua escrita (FERREIRO e TEBEROSKY, 1979).
            Contrariando os fundamentos empiristas dos “métodos de alfabetização”, Ferreiro e Teberosky (op.cit.) demonstraram que as crianças formulam uma série de ideias próprias sobre a escrita  alfabética,enquanto aprendem a ler e a escrever. Considerando que a escrita não é um código, mas um sistema notacional, as autoras observaram que o aprendiz, no processo de apropriação do sistema de escrita alfabética, formula respostas para duas questões básicas: I) o que a escrita nota; II) como a escrita alfabética cria notações?
            Segundo Teberosky e Colomer (2003), os diversos trabalhos resultantesdaquela linha teórica evidenciaram que:
* As crianças, antes de poderem ler e escrever sozinhas e convencionalmente, formulam uma série de ideias próprias ou hipóteses, atribuindo aos símbolos da escrita alfabética significados bastante distintos dos que lhes transmitem os adultos que as alfabetizam;
* As hipóteses elaboradas pela criança seguem uma ordem de evolução em que, a...
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