Resumo - sobre a morte e o morrer

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  • Publicado : 23 de agosto de 2012
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Sobre a morte e o morrer
Capitulo I – Sobre o temor da morte O Homem sempre abominou a morte desde as culturas mais antigas que se tem registro, porém a morte é objeto de estudo para compreensão da vida e também da morte em si, muitas vezes o pensamento não faz discernimento entre o desejo e a realidade no inconsciente, o que traz o fato de crianças desejarem que pais morram por não satisfazeremalgum dos seus desejos, se que mais tarde, se por pura coincidência, venha a ocorrer a morte de um dos pais, esta criança terá um trauma que permanecerá, por admissão de culpa pela morte ocorrida. Porém a criança inicialmente não vê a morte como algo permanente, a assimila como um divórcio, em que poderá voltar a ver os seus pais. No decorrer do tempo a consciência da falsa onipotência éadquirida, amenizando o medo de ter contribuído para a morte de um ente querido, fazendo com que a culpa desapareça, porém o medo permanece inconsciente, podendo ser despertado em alguma situação. O sentimento de perda é geralmente carregado de um pesar, esta raiva ou culpa é reprimida durante um período ou desenvolvida de outras maneiras, em suma o individuo que perde por exemplo um parceiro, culpa-sepela morte do mesmo, temendo ainda mais a própria morte. Este sentimento de raiva que permanece latente e não é esboçado termina extravasando nos rituais empregados após o processo de morte de um individuo, algumas culturas antigas possuíam rituais para espantarem este mau, nós apesar de não admitirmos processamos algo semelhante em nossa cultura, enterrando, realizando salva de tiros, estes rituaispossuem significados implícitos no consciente coletivo através do tempo. O homem basicamente não mudou, porém a forma como enxergamos a morte deve ser encarada como parte da vida, a conceituação da morte como um TABU, prejudica a família, amigos, parentes mais próximos, sem contar às crianças, que não devem ver as pessoas mortas, evitando-se a compreensão, sugerindo outras circunstâncias para amorte, como que se a pessoa que faleceu estivesse em viagem, entre outras coisas que dizem a elas. Esta amenização gera traumas no futuro, quando a compreensão for desenvolvida o suficiente. Hoje em dia evita-se que crianças vejam parentes em seus momentos finais, em leitos acamados, a tanatopraxia aplicada mantém o corpo como se estivesse em sono, sereno, sempre negando o fato inevitável da morte,pertinente a vida. O que se discute é o conceito qual o homem aborda a morte, não seria mais sensato deixar que o paciente que esta em fase terminal passasse seus últimos dias no ambiente familiar? Sem a necessidade de uma readaptação ao local, tornando menos dolorosa a perda e amenizando a solidão, que em muitas vezes pode agir como parte do tratamento, evitando dores e outras complicações, nãoé o intuito que se dispensem os artifícios farmacológicos, mas é incontestável a ação do ambiente em que o paciente está e o seu quadro clínico físico, há mudanças reais com relação ao seu estado.

A rejeição da morte é sempre demonstrada através das estratégias mais diversas de preservação da vida, tornando-a algo imparcial, solitário e impessoal. Qualquer paciente que se encontre gravementeenfermo é retirado do seu ambiente familiar e levado ao hospital sobe os olhares de diversos médicos e observação de aparelhos, tornando o fato da morte, algo artificial, seria esta a estratégia do homem para negar a morte? Julga-se o paciente como incapaz de responder por si, ignorando quaisquer vontades dele, seja de ficar em paz ou apenas descansar, a tentativa de que o paciente viva é maisimportante, tomando o lugar de quaisquer raciocínios, devemos abordar apenas a questão da humanização no aspecto do reconhecimento da morte como estágio da vida. Há ainda a indagação da aceitação da morte como fator natural da vida e inicialmente plano de fundo dos conflitos, armas de destruição, intolerância e negação, fazem parte de uma rede psicológica construída dando margem às pessoas para a...
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