Resumo de back to africa- uma gota de sangue

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Nome: Débora de Miranda dos Santos
Faculdade IMED
Curso: Direito II, noturno.

Back to África

O império contra o tráfico
No auge do comércio de gente, em meados do século XVII, cerca de 85 mil escravos faziam anualmente o trajeto transatlântico. Ao longo de quase quatro séculos, mais de 11,5 milhões de africanos foram embarcados como escravos nas rotas do Atlântico e outros 3,4 milhõessurgiram para a Europa ou os países árabes. A Costa do Ouro contribuiu com nada menos que 6,5 milhões de cativos destinados a América. Em virtude principalmente do tráfico, a população da África experimentou uma estagnação quase completa. Não há como minimizar os impactos políticos, sociais e culturais do comercio escravista.
O advento do tráfico transatlântico estimulou uma intensa diferenciaçãopolítica na África, com a formação de Estados, a consolidação de elites que drenavam para si as rendas do comercio e a configuração de etnias que se engajavam em guerras para a obtenção de cativos. Os grandes reinos negreiros controlavam amplas redes escravistas que se ramificavam pelo interior, abrangendo parceiros comerciais estatais e mercadores independentes.
O tráfico transatlântico deescravos, nos seus três séculos, não era um negocio marginal, mas um núcleo de comercio internacional que semeava o chão no qual nasceria a moderna economia industrial.
A Lei para a Abolição do Trafico de Escravos passada em 1807 na Grã-Bretanha assinalou o inicio de um longo declínio não só do tráfico negreiro como da própria escravidão.
O poder imperial efetivo das potências na África durou apenasum pouco mais de meio século. Com exceções importantes, as administrações europeias não conseguiram moldar mais que a película exterior das sociedades africanas. As crenças, as estruturas familiares, muitos dos tradicionais sistemas de regras ficaram à margem das mudanças promovidas pelos colonizadores. A África sobreviveu, como uma pluralidade de experiências sociais e como uma persistentemetáfora racial.

O sonho pan-africano
Se há um traço verdadeiramente africano, esse traço é a diversidade. Antes da mal denominada “divisão da África” pelas potências imperiais, o continente abrigava milhares de entidades políticas distintas, que acabariam reunidas pelos colonizadores em cerca de meia centena de Estados. Mas o pan-africanismo, um fruto dos conceitos raciais do século XIX, interpretaa África como uma unidade: a metáfora geográfica para a “raça negra”.
Não é possível entender o pan-africanismo sem compreender o lugar da raça na visão de mundo de Du Bois. Para o líder americano, raça era menos um conceito biológico e mais uma noção histórica. Ele admitia que “as grosseiras diferenças físicas de cor, cabelos e ossos” pouco explicam sobre o papel desempenhado pelos gruposhumanos na história, mas invocava “forças sutis” que “dividiriam os seres humanos em raças” nem sempre definíveis pela ciência, porém “claramente definidas aos olhos do historiador e do sociólogo”.
Du Bois não acreditava em noções de superioridade e inferioridade racial e, portanto, não era um racista. Ele acreditava isso sim, que cada raça seria portadora de “sua mensagem singular, seu idealparticular”. Em O negro formulou a tese de que a ruína da África, provocada pelo tráfico de escravos e pela divisão colonial, dissolveu os reinos africanos, brecando o desenvolvimento de Estados negros modernos. As consequências da ruína africana só seriam superadas por meio da unidade dos negros em todo o globo.
Se por um lado Du Bois traduzia a raça em termos históricos e enfatizava a unidade racial denegros e mulatos da diáspora, Garvey não escondia sua repulsa à miscigenação. Na perspectiva de Garvey, os negros deveriam ter um país para si próprios. Esse país seria uma África descolonizada e sem fronteiras internas, para onde “voltariam” os negros de todo o mundo.
No pan-africanismo de Du Bois, as nações podiam ser conciliadas com o princípio racial, e os negros queriam buscar um pacto de...
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