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Peixe Frito, Pastel, Batidinha, Bate-Papo e os Dilemas do Crescimento de uma Pequena Empresa Cinquentenária
Autoria: Rogerio Zanon da Silveira, Marcos Aloízio França da Fonseca, Emerson Scheidegger,
Teresa Cristina Janes Carneiro

1. Introdução
Naquele dia, Lourival Filho estava com um ar diferente. Em pé, com os braços esticados e as mãos apoiadas no balcão, observava o bar, os fregueses eos funcionários trabalhando. Em sua mente passava um pequeno filme da história do bar. Relembrava algumas decisões importantes que precisaram ser tomadas desde sua fundação há 50 anos, talvez buscando suporte para outra importante decisão que precisava tomar naquele dia. Duas alternativas se apresentavam, envolvendo riscos e desafios e não havia muito tempo para decidir. Lourival Filho sabia queprecisava aproveitar uma oportunidade que aparecera de abrir uma filial do Bar do Ceará num bairro e local privilegiado em Vitória (ES). A outra opção era a tentadora alternativa de continuar investindo no estabelecimento atual localizado no bairro de Jucutuquara e não colocar em risco os traços culturais que transformaram o estabelecimento num dos pontos mais atrativos de Vitória.

2.Antecedentes e contexto
Num sábado à tarde, em meados de 2008, em uma das visitas ao Bar do Ceará, uma cena chamou muito nossa atenção. Uma pessoa entrou no bar, olhou atentamente em volta e esquivando-se das mesas foi direto ao balcão. Ao se deparar com uma pessoa de meia idade, meio calva, barba rala e falante foi logo perguntando:
- Você é o Ceará?
- Sim, eu mesmo. Por quê? - Retrucou Lourival Filhosorridente e meio surpreso.
- É que meu médico me mandou aqui.
- O quê, seu médico? Respondeu o proprietário ainda sorridente, mas agora visivelmente espantado.
- Sim, ele mesmo. É até amigo seu, o Dr. Zé Maria. É que eu disse a ele que estava com
alguns probleminhas e tal ... e como remédio ele me receitou que viesse aqui, comer um
pastel, tomar uma batidinha e conversar um pouco com você ecom o pessoal.
Alguns meses depois, fomos aos poucos constatando que aquela cena já havia se repetido em muitas outras ocasiões e envolvia valores construídos durantes décadas.
O começo foi no ano de 1960, quando o casal Ceará e Oswaldina resolveu abrir um pequeno boteco em frente a um campo de futebol no bairro de Jucutuquara, em Vitória. O cardápio era enxuto: sardinha frita feita na hora ena vista do freguês, batidinhas de maracujá, gengibre e limão e cerveja gelada. Uma curiosa coincidência é que naquele mesmo ano, nos Estados Unidos, uma fórmula parecida era adotada por dois irmãos da família McDonald’s para abrir um negócio. A idéia era desenhar uma linha bem reduzida de produtos feitos na hora e na frente do cliente. Mas na organização do casal Ceará e Oswaldina, havia umingrediente muito diferenciado: a despreocupação em atender o freguês com a máxima rapidez.
- Papai achava importante mesmo era o bate-papo com os amigos e a possibilidade de se
comer um prato caseiro e preparado com muito zelo. Que tempo que nada! O tempo para ele não era importante - Relata Ceará, falando meio emocionado do pai, de quem herdou o apelido.
Essa estratégia inicial adotada pelo casalfoi o embrião de comportamentos que iriam forjar a cultura e os traços organizacionais do negócio em toda sua trajetória histórica.
- O que ficou para trás mesmo foram os tempos de aperto no interior da cozinha,
principalmente nos dias de jogos no campo de futebol em frente ao bar e da falta de
espaço para atender aos fregueses – lembra Lourival Filho.
Hoje o Ceará Bar, nome dado pelo atualproprietário quando reabriu o bar após a morte do pai, funciona numa espécie de grande galpão em uma esquina do bairro de Jucutuquara, uma das regiões mais antigas de Vitória. Nele existem duas grandes portas, bem altas, tipo de armazém geral, que deixam o ambiente bem arejado. Em um portão de correr, há uma grande pintura estilizando alguns dos principais cartões postais de Vitória: a Cruz do...
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