Resenha

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 6 (1394 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 28 de março de 2012
Ler documento completo
Amostra do texto
129

RESENHA

Economia política: uma introdução crítica

Rodrigo Castelo Branco*
UFRJ/ UniFOA

REsENHA: Economia política: uma introdução crítica.
NETTO, José Paulo; BRAZ, Marcelo. Economia política: uma introdução crítica. São Paulo: Editora
Cortez, 2006.
Book REviEw: Political Economy: a critical introduction.
NETTO, José Paulo; BRAZ, Marcelo. Political Economy: a criticalintroduction. São Paulo: Editora
Cortez, 2006.
O que está errado, agora, no nosso discurso?
Alguma coisa? Ou tudo?
Com quem ainda podemos contar?
Somos restos da correnteza viva
que o rio depositou em suas margens?
Ficaremos para trás, sem entendermos,
sem sermos entendidos por ninguém?
(Bertolt Brecht)

Escritor de peças teatrais engajadas na promoção da emancipação humana, Bertolt Brechttinha
como uma das suas principais motivações redigir
textos acessíveis à classe trabalhadora. Respeitando a autonomia (relativa) das artes e seu conteúdo estético específico, ele buscava contribuir
efetivamente para a construção de uma sociedade
socialista operada pela ação consciente e autoemancipada do proletariado.
Brecht tinha horror ao elitismo teórico. Freqüentemente queixava-se dostextos escritos pelos
filósofos da Escola de Frankfurt, em especial Adorno e Horkheimer. Na sua avaliação, os frankfurtianos desenvolveram uma linguagem inacessível
aos não-iniciados e, por isso, criavam um abismo

entre suas teorias e a ação revolucionária. Afeito
às idéias “grosseiras”, sempre subordinadas – mas
não subjugadas –, à prática, Brecht escreveu: “o
pensamento não precisa de luzdemais, de pão demais, nem de pensamento demais”.
Muita coisa seria diferente se estas elucubrações tivessem tido eco ao longo da história do
marxismo. Perry Anderson, no ensaio Considerações sobre o marxismo ocidental, anotou que, ao
longo do século XX, particularmente depois da
geração pré-primeira guerra mundial – basta lembrarmos de Lênin e sua brochura Imperialismo,
fase superior docapitalismo: um ensaio popular,
ou de Rosa Luxemburgo e seu livro escrito para
cursos de formação política do Partido SocialRecebido em 16.03.2009. Aprovado em 22.05.2009.

Revista PRAIAVERMELHA / Rio de Janeiro / v. 19 nº 1 / p. 129-132 / Jan-Jun 2010

130

Rodrigo Castelo Branco
Democrata Alemão, Introdução à crítica da economia política – a tradição marxista praticamente
abandonou osestudos sobre economia política,
sua ligação direta com o movimento operário e
foi refugiar-se nas cidadelas acadêmicas, com seu
linguajar próprio, tão distante da realidade cotidiana da classe trabalhadora.
Após os conturbados anos 1990, período no
qual surgiram vários atestados de óbitos da tradição de pensamento e ação política inaugurada por
Marx e Engels, o marxismo, lentamente, serecompõe, e intelectuais ligados a esta tradição começam a produzir textos introdutórios voltados para
o grande público. Este é precisamente o caso do
livro Economia Política: uma introdução crítica,
de José Paulo Netto e Marcelo Braz, lançado pela
editora Cortez.
A obra está estruturada em torno de nove capítulos, além da introdução, conclusão e uma (extensa
e rica) bibliografia consolidada detodo o livro. Ao
final de cada capítulo o leitor encontrará, de forma
rápida e acessível, referências bibliográficas tradicionais e, além disso, uma relação de filmes acerca
do tema versado. Este cuidado editorial em uma
biblioteca básica direcionada ao público universitário constitui uma bela novidade, pois agrega uma
outra forma de linguagem, tão difundida hoje na
juventude (talvez maisdo que a própria literatura),
aos estudos acadêmicos.
O capítulo 1 (Trabalho, sociedade e valor) disserta, sob o enfoque luckasiano, a respeito da categoria trabalho, conceito central de toda a crítica
da economia política marxista. Dificilmente o leitor encontrará um título sobre economia política –
mesmo dentro da tradição marxista – que tenha tal
abordagem sobre a categoria trabalho,...
tracking img