Resenha - o gladiador

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  • Publicado : 7 de agosto de 2011
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Tema: Resenha do filme “O Gladiador”

Um Western Americano Na Velha Itália

A releitura do filme de Ridley Scott demonstra quão cínico e desonesto pode ser um filme que embute em seu enredo superficiais lições de trabalho em equipe, liderança, persistência e determinação, par e passo com a inveja do vilão e a principal motivação do mocinho: vingança.

A GALHOFADA HISTÓRICA

O filme partede um contexto histórico manipulado e, conseqüentemente, falso. Retrata pobremente a terceira e última etapa da civilização romana, onde se consolida o modo de produção escravista, que persiste até o século III, quando problemas estruturais aprofundam a crise do escravismo e, por fim, levam à derrocada de todo o Império. As invasões bárbaras, que culminam com a tomada de Roma pelos ostrogodos, lhefornecem apenas uma definitiva e mais que esperada pá de cal.

O filme reproduz o Baixo Império, focando o fim do governo de Marcus Aurelius (161-180), tendo como marco principal o Coliseu, que abrigava até 100 mil pessoas, sendo utilizado para combate de gladiadores e, também, para o martírio de inúmeros cristãos.

A diminuição do afluxo de riquezas, agravada pela falta de mão-de-obraescrava, além da corrupção, principalmente nos altos cargos do Império, caracterizam a crise que se reflete com divisões políticas e com a própria difusão do cristianismo.

O filme insere-se superficialmente neste processo de crise do Império Romano quando, durante o governo do imperador Marcus Aurelius, iniciam-se as invasões bárbaras que irão se estender até a queda de Roma em 476.

MarcusAurelius consolidou a centralização administrativa e hierárquica das funções, interpretando as leis com um sentido mais humanitário, ainda que não poupando os cristãos de terríveis perseguições. Enfrentou também uma peste, que agravou ainda mais os problemas sociais e que, segundo consta, lhe pos termo à própria vida. Conduziu pessoalmente as campanhas do Danúbio e a paz foi assinada em 175, quando osbárbaros foram recebidos como colonos ou soldados do Império.

Com o rompimento da paz, Marcus Aurelius empreendeu uma nova campanha no Danúbio (177-180), no curso da qual morreu de peste, deixando o poder a seu filho Commodus, retratado no filme de maneira demasiadamente maniqueísta, frente ao herói gladiador.

Lucio Aurelius Commodus se tornou imperador romano aos 19 anos de idade, no ano de180, com a morte do pai, tornando-se uma figura das mais representativas da perversão que o poder absoluto pode provocar. Enquanto o pai foi homem de letras, considerado esclarecido e justo, Commodus dedicava seu tempo às lutas de gladiadores, sendo ele mesmo um praticante desta atividade. Morreu em 192, fruto de uma conspiração palaciana, depois de um reinado de treze anos afundado em terror evergonha.

Commodus era quase a antítese de seu pai, que foi a materialização do sonho de Platão: um rei-filósofo. Marcus Aurelius não só admirava os sábios gregos: era de fato um pensador, apontado até hoje nos cânones da filosofia ocidental. Tinha especial desvelo pelo seu único filho homem, a quem ele esperava orientar pelos elevados princípios éticos de seu tempo. No entanto, o jovem LucioAurelius, criado nos acampamentos militares e ao som das trombetas e gládios de guerra, preferiu a espada aos livros.

Parece ter sido o próprio Marco Aurélio quem arruinou o filho, ao introduzi-lo no seio do poder quando ele ainda era um adolescente. Commodus, imperador aos 19 anos, desatinou-se no trono imperial, aparentemente logo após um atentado fracassado contra a sua vida, segundo consta,articulado por sua própria irmã Lucilla.

A MOTIVAÇÃO E COERÊNCIA DOS PERSONAGENS

Os principais players deste pseudo-drama épico são: Marcus Aurelius, Maximus, Cícero, Lucilla, Commodus, Juba e Próximo.

Cada qual, no enredo livremente adaptado da história, tem seus interesses pessoais paulatinamente revelados.

Marcus Aurelius é o imperador decrépito, na frente de batalha cujo principal...
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