Resenha do filme escola da desordem ou tearchers

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  • Publicado : 6 de novembro de 2012
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O filme “Teachers”, traduzido no Brasil como “Escola da Desordem” provoca duas observações iniciais:
a) o titulo original (Teachers) satiriza alguns estilos de ser professor: o professor autoritário, o sem-autoridade, o maluco-beleza, o professor “outsider”. O personagem principal do filme, Jurel (Nick Nolte), se situa fora do grupo convencional, pela sua irreverência e ousadia);
b) o filmeenfoca uma escola em desordem, não só pelo ambiente tumultuado, barulhento, uma secretaria que parece uma delegacia de polícia, como também porque sustenta um diretor omisso, 10% de professores faltosos por dia e sem substitutos, uma psicóloga desequilibrada, enfim, a “Escola Pública JFK” que já foi uma ótima escola, perdeu o seu foco eminentemente ensinante.
Em vez de os professores, gestores esindicalistas corrigirem a desordem desta escola, eles se preocupam com a possibilidade de ela virar má notícia na mídia. “O que acontece nessa escola não pode virar notícia”, alerta uma burocrata da secretaria de educação do governo responsável pelo monitoramento da escola.
A primeira vista parece que a escola tem uma secretária eficiente, mas por telefone ela autoriza um professor inabilitadoensinar. Também a suposta eficiência do diretor adjunto, Roger, termina revelando seu interesse mais político do que pedagógico. No final do filme, Roger revela mais ocupado com o jogo de interesses político e sindical. O aparente absurdo de um aluno processar judicialmente a escola porque ele se formou sem saber ler e escrever funciona como alerta para todas as escolas que efetivamente não ensinam.Desde que foi lançado, no Brasil, em 1985, “Escola da desordem” passou a ser referência nas conversas e debates sobre os efeitos negativos da “progressão continuada” implantada no estado de São Paulo, por Rose Neubauer[1]. Esse sistema foi difundido na prática como “aprovação automática”, visto não funcionar como programa de recuperação dos alunos que não alcançaram grau de aprovação.
Embora ofilme seja resultado do contexto sócio-cultural dos Estados Unidos da década de 1980, tem pontos em comum com o sistema educacional do Brasil. No início de 2010, causou constrangimento na Secretaria de Educação do Paraná a denuncia de um pai sobre a alteração da nota do filho pela escola; o fato gerou debates na TV Globo. Embora esta Secretária declarasse que no Paraná não existia “aprovaçãoautomática”, os professores denunciaram na internet que os Conselhos de Classe fazem o papel de aprovar alunos sem estarem prontos para freqüentar o ano seguinte. Portanto, o filme parece não estar tão distante da realidade concreta das escolas que perderam propósito eminentemente ensinante, e de professores sem comprometimento com a transmissão do conhecimento sistemático para a nova geração, ainda quealguns alunos “não estabeleçam relação com o saber/aprender” (CHARLOT, 2005).
Professores X Alunos
Desatacam nesse filme alguns estilos docentes: há o professor tradicional, hoje considerado autoritário, adota uma atitude distante afetiva e intelectualmente em relação aos alunos. O prof. Dito sente-se reforçado no seu estilo: faz um auto-elogio porque consegue manter os alunos disciplinados; háo professor anárquico (Rosemberg), que perdeu a autoridade docente, portanto, ele não comanda os alunos em sala de aula e não sabe como reagir ao falta de respeito de alguns alunos; há o bom-professor, que além de sustentar uma certa paixão pela docência, sua aula é dinâmica e por isso mesmo desperta o interesse dos alunos para aprender. Existe ainda o professor-farsa (Sr. Gauer) e o professortransgressor da ética docente (porque engravida uma aluna). Depois da descoberta desta transgressão, a punição empreendida pelo grupo politicamente dominante da escola recai para o professor que leva a aluna fazer o aborto. Ainda que quase todos os professores sejam caricaturas da docência em ato, mais preocupados com a moral do que com a ética da escola (IMBERT, 2001), este filme instiga uma...
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