Resenha do filme 'entre os muros da escola'

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Glenda Miranda MOURA

RESENHA ENTRE os Muros da Escola. Direção: Laurent Cantet. Produção: Caroline Benjo e Carole Scotta. Paris: Imovision, 2008. 1 DVD.
Glenda Miranda MOURA1

Palavras-chave: ensino; vernáculo; prática docente. Key-words: teaching; vernacular; teaching practice.

Há anos são discutidas questões acerca do ensino de língua materna no Brasil. Com o filme Entre os Murosda Escola percebemos que os problemas enfrentados por nós brasileiros não são exclusivos de nosso país. Embora a organização burocrática do ensino, a estrutura das escolas e as realidades de professores e de alunos sejam diferentes daquelas encontradas no Brasil, o retrato feito por Laurent Cantet nos mostra que nosso país não está tão atrás no que tange à educação mundial. O filme, baseado nolivro homônimo escrito por François Bégaudeau, retrata sua prática docente do próprio Bégaudeau, autor e personagem da história. Bégaudeau é jornalista, professor e autor de dois romances: Jouer juste (Jogar justo), de 2003 e Dans la diagonale (Na diagonal), de 2005. Escreveu também uma ficção biográfica sobre o vocalista da banda inglesa Rolling Stones chamado Un démocrate Mick Jagger 1960-1969 (Umdemocrata Mick Jagger 1960-1969), de 2005. Sua obra Entre les murs (Entre os muros da escola), de 2006, ganhou o prêmio France Culture/Télerama no ano de lançamento. Tão aclamado pela crítica cinematográfica quanto o livro, pela literária, o filme ganhou o Palme d’Or do Festival de Cannes também no ano em que foi lançado. O filme é inteiramente gravado na escola com exceção de duas cenas quemostram a chegada dos professores. As cenas na escola mostram a convivência dos professores, da coordenadora e do diretor em suas relações com alunos e pais. Os atores todos representaram seus reais papéis, desde François, personagem principal, até os
1 Graduanda em Letras Português pela Universidade Federal do Ceará. Fortaleza-CE. Correio eletrônico: glendammoura@gmail.com

Entrepalavras, Fortaleza- ano 1, v.1, n.1, p. 175-180, ago/dez 2011

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serventes da escola, passando também por alunos, pela coordenadora e pelo diretor, tornando o filme uma linha tênue entre o documental e o ficcional e tentando ao máximo remeter à realidade daquele país. François, personagem citado anteriormente, é o professor de uma escola que atende tanto a alunos parisienses, como tambémaqueles provindos de antigas colônias francesas (como o Reino de Marrocos e a República de Mali), bem como de outros países, como o casal de irmãos asiáticos, filhos de imigrantes ilegais. O professor, frente ao contexto heterogêneo em sala, em meio a tantas culturas, prende-se cada vez mais ao ensino de uma língua normatizada pela gramática, temendo talvez não conseguir arcar com os diferentesdialetos trazidos por seus alunos. Conduz, assim, aulas expositivas nas quais mostra e explica os conteúdos gramaticais com exemplos descontextualizados. Isso constitui o foco de alguns dos questionamentos que os alunos levantam: o nome do sujeito de uma das frases expostas pelo professor (o nome inglês Bill, que duas alunas julgam esquisito e pedem para substituir por Aïïïsata, nome mais comum paraelas); o desuso, pela população, dos tempos verbais mais formais (imperfeito do subjuntivo). Dois momentos chamam bastante atenção no que tange ao andamento das aulas por representarem uma realidade também presente no Brasil. O primeiro momento diz respeito à aula na qual o professor pede que os alunos leiam um texto e apontem as palavras que desconhecem. Após escrever as palavras no quadro, oprofessor passa a perguntar aos alunos se eles sabem o que significam as palavras e escreve frases contendo-as, de maneira que os alunos possam descobrir, em outro contexto, de que se tratam aquelas palavras. O segundo momento diz respeito à aula na qual o professor fala sobre o imperfeito do subjuntivo a partir de um exemplo demonstrado no quadro e os alunos não aceitam, dizendo ser algo que apenas...
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