Resenha de fios da vida

Disponível somente no TrabalhosFeitos
  • Páginas : 10 (2378 palavras )
  • Download(s) : 0
  • Publicado : 19 de março de 2013
Ler documento completo
Amostra do texto
Universidade Estadual de Feira de Santana
Departamento de Ciências Humanas e Filosofia
Disciplina: História da Bahia
Docente: Ana Maria
Discente: Sara Rebeca Santos Lima

Resenha

PIRES, Maria de Fátima N. Fios da vida: Tráfico Interprovincial e Alforrias nos Sertoins de Sima, 1860-1920. 1. Ed. São Paulo: Annablume Editora, 2009. 310 p.

Maria de Fátima Novaes Pires éPós-doutorada em História pela Universidade Estadual de Campinas e Professora adjunta no Departamento de História da Universidade do Estado da Bahia. No livro Fios da Vida, a autora trata de questões relacionadas às singularidades da escravidão sertaneja na economia regional do alto sertão da Bahia, basicamente no período de 1860 a 1920, buscando examinar através da trajetória de escravos, ex-escravos eforros o significado das relações comunitárias para suas vidas, assim como examinar e interpretar suas experiências sociais recolhidas de seus cotidianos. A partir daí trata da questão da manutenção de escravos, apesar do tráfico e da abolição, nas pequenas vilas e arraias do sertão da Bahia.
O livro é apresentado em quatro capítulos, sendo que o primeiro “Tráfico interprovincial de escravos ealforrias” vai tratar desta questão, começando pelo fato que impulsionou o tráfico interprovincial, que foi o fim do tráfico atlântico a partir de 1850 (aproximadamente). O comércio local, regional e interprovincial foi intensificado, e tudo isso implicou diretamente na vida social e econômica de várias províncias do Brasil, sendo que as conjunturas das províncias do Norte acabaram por beneficiar otráfico, pois a decadência da produção açucareira e de algodão, as secas, as alforrias, as migrações (...), facilitaram a venda de escravos na região. Muitos procuraram se desvencilhar de alguns cativos como alternativa econômica, ou até mesmo pela dificuldade de mantê-los, e como as províncias do Sul na década de 1870 estavam em expansão, as transações de escravos para estes locais foram favoráveis.
Otráfico interessava-se por escravos em pleno vigor físico, sendo que o preço das mulheres era inferior ao dos homens, pois estes eram preferências para os pesados serviços da lavoura, mas na década de 1880, houve uma redução das vendas de escravos, provavelmente pelo aumento de medidas fiscais e legislativas, só que mesmo que pretendido, o controle do comércio nem sempre foi alcançado, afinalburlar leis inscreve-se de longa data na história brasileira. Em Rio de Contas e Caetité, centro da pesquisa do livro, os escravos vendidos eram majoritariamente naturais da região, ou de regiões circunvizinhas, e por conta disso a desagregação dos grupos familiares dos escravos foi uma séria conseqüência. Essa situação agregou sofrimento às suas vidas, mas também ampliou acordos entre escravos esenhores a fim de evitar que parceiros ou membros da família fossem vendidos separadamente, dessa forma famílias inteiras foram vendidas, mas não se sabe se continuaram integradas no destino de suas vendas.
Os negociantes mais atuantes no sertão foram os sampauleiros, baianos retornados de São Paulo, os tropeiros também já conduziam mesmo antes da fase mais intensa do tráfico, escravos tanto paraa venda quanto para a compra, além de grandes proprietários e firmas da capital que participaram desse lucrativo comércio. Os recrutamentos eram feitos tanto nas grandes fazendas de açúcar quanto nas pequenas propriedades de pequenos proprietários endividados. Os percursos dos escravos para as províncias do Sul foram penosos, muitas vezes percorridos a pé, passando fome e sede, e, a compra emperíodos tão próximos a abolição sugerem que muitos senhores acreditavam na dilatação da escravidão em um período considerável, porém não foi tudo sempre tão fácil assim, os escravos buscaram recursos para se livrarem do cativeiro. As fugas foram as principais armas contra o tráfico, os fugitivos contavam com o apoio de parentes e amigos além de alianças nos percursos das evasões, sem as quais não...
tracking img