Resenha critica

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  • Publicado : 23 de maio de 2011
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RESENHA
PROFESSORA, SIM; TIA, NÃO: CARTAS A QUEM OUSA ENSINAR
Paulo Freire (1. ed.: maio 1993).
16. ed. São Paulo: Olho d’Água, fev. 2006. 127 p.
ISBN 85-85428-07-04.

Paulo Freire, desde o início de sua vida como educador, optou claramente por estar do lado dos oprimidos, pois conhecia de perto as injustiças sociais que se abatiam sobre a classe mais pobre. Foi pioneiro no Brasil, a partirde meados dos anos 60, na utilização de métodos revolucionários voltados para a alfabetização de adultos que, além de alfabetizá-los, também os politizavam. Paulo Freire foi exilado no Chile, onde continuou sua prática libertária de educação. Em 1980, retornou ao Brasil e deu continuidade às suas idéias de educação libertária e conscientizadora. Em maio de 1997, morreu vítima de um ataquecardíaco.
O autor inicia sua reflexão contando-nos sobre a dialética do pensar e explica como a retomada das reflexões sobre suas obras anteriores contribuiu para a escrita desta obra; como os atos de pensar e escrever não podem ser mecanizados nem dicotomizados, mas que existe uma solidariedade dialética entre um ato e outro, os quais formam o conjunto de saber o objeto pensado, construindo assim oconhecimento de dado assunto.
Posteriormente, o autor toma seu tema predileto, a alfabetização de adultos, pela qual lutou toda a sua vida, mostrando-nos como o analfabetismo é uma castração do ser humano como ser pensante; não é apenas um problema social, mas, na verdade, é uma violência contra o indivíduo. Freire enfatiza, com muita propriedade, que o analfabetismo castra o corpo consciente efalante de mulheres e homens, proibindo-os de ler e de escrever, limitando sua capacidade de fazer uma leitura do mundo e repensar sua própria leitura numa atividade reflexiva que o torne consciente de si mesmo e de sua participação no mundo.
As culturas letradas proíbem o analfabeto de participar da vida social e da assunção da sua plena cidadania e do crescimento e amadurecimento na construção dosaber, pois a solidariedade dialética do ato de ler, de escrever e de re-ler, se bem assumida, nos leva a uma crescente capacidade criadora, e, quanto mais amadurecemos nesse movimento, mais pensadores críticos nos tornamos “do processo de conhecer, de ensinar, de aprender, de ler, de escrever, de estudar” (p. 8).
Freire continua sua reflexão sobre o ato de pensar e de escrever, enfatizando que oestudar é um profundo movimento solidário da dialética e nos introduz em um novo assunto, qual seja a polêmica temática Professora, sim; tia, não. Logo, esclarece sua intenção ao definir o que quer transmitir com suas reflexões: que aquele que ensina é também um aprendiz e que essa atividade é prazerosa, mas igualmente exigente de seriedade, de preparo científico, de preparo físico, emocional eafetivo. A atividade de ensinar também exige ousadia, pois requer envolvimento emocional; aprendemos com todo o corpo, com a emoção e com a razão e nunca podemos dicotomizar esses sentimentos. Pensar o aprendizado como uma ação que envolve emoções é uma ousadia, principalmente quando essas emoções ou esse amor levam à resistência contra a realidade social e política na qual vivem os“ensinantes-aprendizes”.
O autor, então, descortina a questão que, aos olhos do senso comum, parece amorosa, qual seja tratar a professora de tia, mas, na verdade, esse tratamento esconde a ideologia da passividade do “ensinante-aprendiz”, pois resistir a uma política e uma realidade social angustiante e de sucateamento do ensino não é para seres passíveis, amorosos e parentais como a maioria das tias.
O autordefende com veemência que ensinar é uma tarefa que envolve militância e especificidade no seu cumprimento e que ser tia é viver uma relação de parentesco, e, por isso, nunca poderia ser uma profissão. Ensinar implica educar e vice-versa, e, para tanto, é necessária a “paixão do conhecer”, que nos envolve, como diz Freire, numa busca prazerosa, mas nada fácil.
Entretanto, não é intenção do...
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