Resenha cidadania no brasil o longo caminho carvalho, josé murilo de

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  • Publicado : 15 de novembro de 2012
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Introdução: Mapa da viagem



“Cidadania virou gente” (p.7)

José Murilo de Carvalho nos remete a uma reflexão sobre o que seria a cidadania, tão propagada, nos dias de hoje. Faz pensar que direitos são esses, que nos tornam cidadãos. E através de dados históricos, sobre o surgimento dos direitos civis, no século XVIII, dos direitos políticos, no XIX,e os sociais no XX , no âmbito da Inglaterra, traça um paralelo contextualizando com a diferença do surgimento de tais direitos no Brasil, que não tiveram a mesma ordem, sendo iniciados, pelo sentido contrário do exemplo Inglês. Traz ainda uma ressalva importante, sobre a questão da educação, que é definida como direito social, mas tem sido historicamente um pré-requisito para a expansão dosoutros direitos. Onde a cidadania se deu com maior rapidez, a educação popular esteve presente.

O autor nos convida a um mergulho, pelas incertezas e problemáticas da sociedade brasileira, e afirma que tal atitude, já é em si uma forma de exercer nossa própria cidadania.

É interessante observar, que a proposta do trabalho, é uma análise da história do Brasil, porém pelo viés doconceito de cidadania.

Primeiros passos (1822-1930)

Em seu primeiro tópico trata da colônia, e remete sua abordagem a ausência de cidadãos nessa sociedade.

“Não se pode dizer que os senhores fossem cidadãos. Eram, sem dúvida, livres, votavam e eram votados nas eleições municipais. Eram os "homens bons" do período colonial. Faltava-lhes, no entanto, o próprio sentidoda cidadania, a noção da igualdade de todos perante a lei. (...) absorviam parte das funções do Estado, sobretudo as funções judiciárias. Em suas mãos, a justiça, que, como vimos, é a principal garantia dos direitos civis, tornava-se simples instrumento do poder pessoal. O poder do governo terminava na porteira das grandes fazendas.” (p. 21).

“A consequência detudo isso era que não existia de verdade um poder que pudesse ser chamado de público, isto é, que pudesse ser a garantia da igualdade de todos perante a lei, que pudesse ser a garantia dos direitos civis.”(p.22)

Sobre a independência, a ideia de acordo entre as elites (que será retomada mais a frente, mostrando que nessa perspectiva, a história do Brasil é cheia de acertos entre asclasses dominantes, nos momentos de transição) é destacada:

“A principal característica política da independência brasileira foi a negociação entre a elite nacional, a coroa portuguesa e a Inglaterra(...)” (p. 26)

E os conceitos que se guiam por patamares extremistas ao falar do apoio, ou total ausência do povo no momento de independência sãoquestionados:

“Nas capitais provinciais mais distantes, a notícia da independência só chegou uns três meses depois; no interior do país, demorou ainda mais. Por isso, se não se pode dizer que a independência se fez à revelia do povo, também não seria correto afirmar que ela foi fruto de uma luta popular pela liberdade. O papel do povo foi mais decisivo em 1831, quando o primeiro imperador foi forçado arenunciar. Houve grande agitação nas ruas do Rio de Janeiro, e uma multidão se reuniu no Campo de Santana exigindo a reposição do ministério deposto. Ao povo uniram-se a tropa e vários políticos em raro momento de confraternização. Embora o movimento se limitasse ao Rio de Janeiro, o apoio era geral. No entanto, se é possível considerar 1831 como a verdadeira data da independência do país, osefeitos da transição de 1822 já eram suficientemente fortes para garantir a solução monárquica e conservadora.”(p.28)

Sobre a constituição de 1824, se destaca seu caráter liberal, inclusive muito mais liberal que os países europeus nesse momento. Ela segue quase inalterada até 1881, e em tese, permitia que quase toda população adulta, branca e masculina participasse da política, o questionamento...
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