Resenha capitulo iv e v do livro microfísica do poder

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  • Publicado : 29 de outubro de 2012
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Resenha do capitulo IV e V do livro
Microfísica do Poder
de Michel Foucault


Na obra Microfísica do poder, Michel Foucault explica como os mecanismos de poder são exercidos dentro e fora do aparelho do Estado, mostrando as relações desse poder nas sociedades modernas e como ele produz “verdades”, cujo objetivo é a dominação e controle do homem através de determinadas práticas econômicas e,sobretudo, politicas.
O capitulo IV, chamado “Os intelectuais e o poder”, é uma conversa ocorrida entre o próprio Michel Foucault e outro filósofo, o francês Gilles Deleuze. No diálogo, eles analisam a fragilidade do Sistema, a inação dos intelectuais e de suas teorias, bem como as distintas manifestações de luta contra o poder atualmente.
Foucault rejeita a posição do intelectual como agenteda consciência e produtor da verdade. Segundo ele, os intelectuais sabem que as massas não precisam deles para obter conhecimento e sabedoria. Nada obstante, existe um sistema de poder que acaba proibindo esse discurso, obrigando os intelectuais a desenvolver esse papel.
Por outro lado, para Gilles Deleuze esse sistema em que vivemos nada pode suportar, disto decorrendo sua fragilidade radical emtodos os aspectos. Deleuze faz questão de destacar que Foucault foi o primeiro a denunciar a indignidade do falar em nome dos outros.
No diálogo entre ambos também é abordada a prisão. Michel Foucault explica que a prisão é o único lugar onde o poder se manifesta no seu estado puro, com medidas extremamente exageradas e tudo se justifica como poder moral. Ele diz que nas prisões o poder não seesconde, pois “sua tirania brutal aparece então como dominação serena do Bem sobre o Mal, da ordem sobre a desordem”. A partir desse tratamento justificado dado na prisão surge o ódio por parte do povo, que inicia uma luta contra a justiça; entretanto, essa luta não é contra as instituições judiciárias e sim contra o poder que estas detêm.
Tanto Foucault quanto Deleuze questionam de onde vem equem exerce o poder. Para eles isto é um mistério. Ambos afirmam que nós sabemos claramente quem não possui o poder, porém, não se pode apontar quem especificamente o detém. Assim, Foucault constata que cada luta se desenvolve em torno de um foco particular e ele incentiva a divulgação e até mesmo a denúncia desses fatores. Falar deles publicamente é uma forma de luta contra o poder, provocando ainversão deste.
As relações entre desejo, poder e interesse são muito complexas. Foucault afirma que possivelmente as lutas que se realizam hoje em dia sirvam para entender como se exerce o poder. Ele sustenta que a luta das mulheres, dos prisioneiros, dos soldados, dos doentes e dos homossexuais fazem parte do movimento revolucionário, e que este, na medida em que deve combater todas as formas decontrole e coerções, está intimamente ligado à luta operária.
No capitulo V, chamado “O nascimento da medicina social”, Foucault começa analisando se a medicina moderna é ou não individual, apostando na hipótese de ser uma prática social, nada obstante seja, apenas em alguns aspectos, individualista e valorize as relações médico-doente.
Para ele, o capitalismo que se desenvolveu em fins doséculo XVIII, ao invés do que se pode pensar, promoveu a socialização do corpo enquanto força de produção e de trabalho. Ou seja, não ocorreu a passagem de uma medicina coletiva a uma medicina privada, senão o contrário.
Inicialmente, o controle da sociedade não se deu só pela consciência e pela ideologia capitalista, mas começou com o controle do corpo. Assim, a medicina tornou-se uma estratégiabio-politica.
Cabe ressaltar que apesar do corpo ter sido de fato investido como força de trabalho, isto ocorreu só na segunda metade do século XIX, pois foi só neste período que se configurou o problema do corpo, da saúde e do nível de força produtiva dos indivíduos.
Foucault indica três etapas para a formação da medicina social, a saber, a medicina de Estado, a medicina urbana e a medicina da...
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