Resenha: adeus ao trabalho?

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  • Publicado : 22 de fevereiro de 2013
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ADEUS AO TRABALHO?
RICARDO L. C. ANTUNES 

            Na década de 80, nos países de capitalismo avançado, ocorreram profundas transformações no mundo do trabalho, nas suas formas de inserção na estrutura produtiva, nas formas de representação sindical e política. As modificações foram tão intensas que se pode afirmar que a classe que vive do trabalho sofreu a mais aguda crise deste século,que atingiu não só a sua materialidade, mas teve profundas repercussões na sua subjetividade e em sua forma de ser.
            Em uma década de grande salto tecnológico, a automação, a robótica e a microeletrônica invadiram o universo das fábricas, modificando as relações de trabalho e de produção de capital.
            Novos processos de trabalho emergem, onde o cronômetro e a produção emsérie e de massa são “substituídos” pela flexibilização da produção, pela “especialização flexível”, por novos padrões de busca de produtividade, por novas formas de adequação da produção à lógica do mercado.
            O taylorismo penetra, mescla-se ou mesmo substitui o padrão fordista, dominante em varias partes do capitalismo globalizado. Vivem-se formas transitórias de produção, cujosdesdobramentos são também agudos, no que diz respeito aos direitos do trabalho.
            Direitos e conquistas históricas dos trabalhadores são substituídos e eliminados do mundo da produção.
            Atribui-se a Sabel e Piore um pioneirismo na apresentação da tese da “especialização flexível”, esta seria a expressão de um processo que, tendo especialmente a “Terceira Itália” como experiênciaconcreta, teria possibilitado o advento de uma nova forma produtiva que articula, de um lado, um significativo desenvolvimento tecnológico e, de outro, uma desconcentração produtiva baseada em empresas médias e pequenas, “artesanais”.
             A crise do fordismo não é nada de novo, é apenas a mais recente manifestação da crise permanente do capitalismo. 
            Um sugestivo esboçoanalítico sobre o significado e os contornos das transformações vivenciadas pelo capitalismo nos é oferecido por Harvey. Segundo ele, os padrões de vida para a população trabalhadora dos países capitalistas centrais mantiveram relativa estabilidade e os lucros monopolíticos também eram estáveis.
            Em sua síntese sobre a acumulação flexível nos diz que essa fase da produção é “marcada” por umconfronto direto com a rigidez do fordismo. Ela se opera na flexibilidade dos processos de trabalho, dos mercados e trabalho, dos produtos e padrões de consumo. Caracteriza-se pelo surgimento de setores de produção inteiramente novos, novas maneiras de fornecimento de serviços financeiros, novos mercados e, sobretudo, taxas altamente intensificados de inovação comercial, tecnológica eorganizacional. A acumulação flexível envolve rápidas mudanças dos padrões do desenvolvimento desigual, tanto entre setores como entre regiões geográficas, criando, por exemplo, um vasto movimento no emprego no chamado setor de serviço, bem como conjuntos industriais completamente novos em regiões até então subdesenvolvidas.
            Harvey desenvolve sua tese de que a acumulação flexível, na medida em queainda é uma forma própria do capitalismo, mantém três características essenciais desse modo de produção. Primeira: é voltado para o crescimento; segunda: este crescimento em valores reais se apóia na exploração do trabalho vivo no universo da produção e terceira: o capitalismo tem uma intrínseca dinâmica tecnológica e organizacional.
            A conseqüência desse processo, quando remetida aomundo do trabalho, foi também indicada pelo autor: o trabalho organizado foi solapado. Ocorreram altos níveis de desemprego estrutural e houve retrocesso da ação sindical. O individualismo exacerbado encontrou, também, condições sociais favoráveis, entre tantas outras conseqüências negativas.
            Ao contrário da verticalização fordista, de que são exemplo as fábricas dos EUA, onde...
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