Resenha - adeus o trabalho de ricardo antunes

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  • Publicado : 8 de abril de 2013
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Resenha: Adeus ao trabalho? Ensaio sobre as metamorfoses e a centralidade do mundo do trabalho. Autor: Ricardo Antunes.

Nos últimos anos diversos teóricos vem travando um rico e extenso debate acerca da centralidade ou não da categoria trabalho, na sociedade capitalista (neoliberal/global) contemporânea. Os que defendem a sua centralidade concebem o trabalho como elemento fundante efundamental para a sociabilidade humana, enquanto outros o deslocam, secundarizando-o, como é o caso das teorias de Habermas, André Gortz, dentre outros. Estas teses afirmam a perda de sentido da teoria do valor, seja pela substituição do valor-trabalho pela ciência, seja pela vigência de uma lógica societal intersubjetiva e interativa, informacional que se colocaria em contraposição analítica com aformulação marxiana da centralidade do trabalho e da teoria do valor.
Nesse cenário discursivo, a obra Adeus ao Trabalho? de Ricardo Antunes que é originada na tese de livre-docência em Sociologia do Trabalho no IFCH-UNICAMP, mais do que a posição do autor no debate, traz a baila a atualização analítica e política da classe trabalhadora pelas transformações no mundo do trabalho, a partir dastransformações gerais da sociedades capitalista global em resposta a crise estrutural do capital, na década de 1970.

Foram tão intensas as modificações, que se pode afirmar que a classe-que-vive-do-trabalho sobrevive a mais aguda crise deste século, que atinge não só sua materialidade, mas teve profundas repercussões na sua subjetividade e, no íntimo inter-relacionamentodestes níveis, afetou a sua forma de ser. (2000, p.23).

Antunes defende a tese de que a sociedade do capital e sua lei do valor necessitam cada vez menos do trabalho estável e cada vez mais das formas diversificadas de trabalho parcial, terceirizado. O que é explicado pela impossibilidade do capital de eliminar o trabalho vivo do processo de criação de valores, fazendo com que este aumente autilização e a produtividade do trabalho de modo a intensificar as formas de extração da mais-valia em tempo cada vez mais reduzido.
O autor apresenta a sua discussão no desenvolvimento analítico dos seguintes processos: 1 – interação entre a atividade laborativa e a ciência; 2 – conversão do trabalho vivo em trabalho morto: objetivação das atividades cerebrais junto à maquinaria; 3- expansão dasformas de trabalho imaterial e 4- concepção ampliada de trabalho.
O livro é dividido em quatro capítulos, além do apêndice que contém nove artigos publicados em revistas nacionais e internacionais. Pelo modo como foi organizado e escrito, possibilita uma leitura clara e simplificada de um tema que sucita questões complexas, cujas respostas ainda encontram-se abertas e indefinidas, dentre as quaispodemos citar: o operariado clássico estaria em vias de extinção? Estaria o trabalhador gradativamente perdendo sua importância social? A categoria trabalho deixou de ser central na sociedade neoliberal? Findou-se a possibilidade da revolução a partir do trabalho? Estes são as interrogações que estruturam as reflexões feitas pelo autor em Adeus ao trabalho? O pano de fundo é formado pelo processode globalização, pela difusão acelerada das novas tecnologias nos processos de produção e pela presença do Toyotismo, que expressa um modelo de organização do trabalho que vem conseguindo empreender formas mais eficientes de exploração da força de trabalho, para obter resultados mais satisfatórios no processo de produção de riqueza.
No primeiro capítulo sob o título “ Fordismo, Toyotismo eacumulação flexível” Antunes recupera a visão de importantes pesquisadores, a respeito das experiências recentes do processo de produção e trabalho, para discutir as transformações ocorridas no mundo do trabalho e seus impactos sobre a subjetividade dos trabalhadores. O autor considera que o presente mundo do trabalho apresenta múltiplas formas de organização do trabalho e da produção, onde o...
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