Religiao

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A justificação do juízo estético: subjectivismo estético e objectivismo estético
Quando uma pessoa afirma que algo é belo, que tipo de razões apresenta para justificar o que afirma? O que nos faz dizer que algo é belo? Na verdade, este não é um problema que ocupe apenas os filósofos. Ouvimos muitas vezes uma pessoa dizer que algo é belo (ou feio) e, surpreendidos, queremos saber porquê.
Porque razão algumas pessoas acham bonitas as canções do Tony Carreira e outras não? Será que as pessoas estão todas a falar da mesma coisa quando usam a palavra «belo»? Será que todas as opiniões acerca do que é ou não é belo são correctas? Será que quando afirmamos que uma pintura é bela estamos a referir algo que está realmente
na pintura, ou é apenas uma maneira de manifestar os nossos sentimentosao ver a pintura?
Entre os filósofos, este é conhecido como o problema da justificação do juízo estético.
Em termos mais populares costuma-se formular através da seguinte pergunta:
A beleza está nas coisas ou nos olhos de quem a vê?
Há duas teorias rivais que procuram responder a esse problema: o subjectivismo estético e o objectivismo estético.
Subjectivismo estético
Para simplificar,pensemos apenas no caso particular do chamado «juízo do belo» – um dos vários juízos estéticos. O subjectivismo estético é a perspectiva acerca da justificação do juízo estético que defende basicamente que a beleza resulta do que sentimos quando observamos as coisas; ou seja, a beleza está nos olhos de quem a vê.
* O subjectivismo estético defende que os objectos são belos em virtude do quesentimos quando os percepcionamos.
* Percepcionar um objecto é obter informação dele através dos sentidos.
Achar algo bonito ou feio é, segundo esta teoria, uma questão de gostos ou preferências pessoais. Um dos heterónimos de Fernando Pessoa resume bem esta perspectiva nos seguintes versos:
A beleza é o nome de qualquer coisa que não existe,
Que eu dou às coisas em troca do agrado queelas me dão.
Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos, XXVI, 1912

Assim, os objectos são belos ou feios de acordo com os sentimentos de prazer ou desprazer que fazem surgir em nós. Os juízos estéticos não são, neste caso, objectivos. Ou seja, o que está em causa não são as propriedades dos objectos, mas antes os sentimentos que tais objectos despertam em nós. Por isso se diz que são juízos degosto.

Dizer «O Guardador de Rebanhos é belo» é, para o subjectivista, o mesmo que dizer «Gosto d’O Guardador de Rebanhos». De maneira que se alguém perguntar a um subjectivista que razões tem para dizer que O Guardador de Rebanhos é belo, ele dirá que sente prazer ao lê-lo. Ou, mais simplesmente, que gosta desse poema.
Subjectivismo radical
Uma forma extrema de subjectivismo defende que, namedida em que traduzem aquilo que cada um sente, os gostos não se discutem. Mas esta forma de subjectivismo levanta quatro problemas óbvios. Vejamos quais.
1. Contraria o modo como falamos. De acordo com o subjectivismo radical, as frases
«X é belo» e «X não é belo» só seriam a negação uma da outra se fossem proferidas pela mesma pessoa. Proferidas por pessoas diferentes – digamos, pela Rita epelo Carlos, respectivamente – apenas querem dizer «A Rita gosta de X» e «O Carlos não gosta de X»; assim, ambas podem ser verdadeiras, não havendo qualquer contradição. Ora, isto não está de acordo com o modo como falamos.
2. Torna impossível a comunicação. Se belo for simplesmente aquilo que cada um acha, então quando utilizamos a palavra «belo» numa conversa não chegamos verdadeiramente acomunicar: a palavra tem um significado diferente para cada pessoa, o que torna impossível a comunicação.
3. Torna os juízos estéticos autobiográficos. No seguimento da objecção anterior, se o subjectivista radical tiver razão, os juízos estéticos são autobiográficos: quando uma pessoa diz «X é belo» não está, em rigor, a falar de X, mas de si própria e das suas preferências.
Porém, não é assim que...
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