“Quem somos? – a quebra dos estereótipos em busca da identidade afrodescendente:

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“QUEM SOMOS? – A QUEBRA DOS ESTEREÓTIPOS EM BUSCA DA IDENTIDADE AFRODESCENDENTE: PROPOSTA DE EDUCAÇÃO ANTI-RACISTA” Cristiane Santana SILVA kelly Cristina MORAES Andréia Kelly MARQUES Ana Cristina Juvenal da CRUZ André César ANDRADE1 Resumo: O presente trabalho se constrói por meio de oficinas, onde se foca a geração de discussões acerca no papel que o negro vem desempenhando na sociedade, e arepresentação deste no meio escolar – importante espaço de construção de saberes Assim, trabalhamos com adolescentes matriculados no ensino fundamental e médio, de uma escola da periferia Assisense. Propomos por meio de oficinas que os alunos reconheçam que há um problema racial dentro e fora da escola, evidenciando, no cotidiano destes educandos a presença do racismo, assim como, toda a ideologiaconstruída através de um processo histórico no qual a população negra foi impedida de exercer suas cidadanias plenas, mostrando também que esse impedimento gerou conseqüências que podem ser observadas e sentidas até os dias de hoje. Com a finalidade de auxiliar a construção de uma identificação positiva consigo mesmo e com o patrimônio histórico- cultural brasileiro, o resgate da culturaafro-brasileira é imprescindível na integração dos educandos com os valores étnicos do passado. Entendendo essa diversidade étnico-racial e cultural de criticamente e compreendendo a trajetória histórica que existe nas diferentes manifestações culturais.

Palavras-chave: Lei 10.639; inclusão; diversidade; relações étnico-raciais; educação. 1. O INÍCIO: AS NEGOCIAÇÕES PARA VIABILIZAR O PROJETO A vitóriaconquistada pelo movimento negro, com a sanção da lei 10.639, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em janeiro de 2003, que obriga o ensino da história e cultura africana e afro-descendente nos estabelecimentos de ensino - “Art. s 26A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-brasileira.” -traz à tona uma série de preocupações que devem ser consideradas, a começar por: Será que os professores estão preparados para ministrar conteúdos que tocam no conflituoso tema da desigualdade racial, bem como para lidar com a invisibilidade das culturas de matriz africana em diversas esferas da sociedade brasileira, e consequentemente, no sistema oficial de ensino. Conflitos estes que seoriginaram ainda na época de colonização com a

escravização dos povos africanos, processo em que se constróem as bases do racismo como o conhecemos hoje, ou seja, para justificar a escravização de africanos, a empresa colonial se apoiava em idéias, tanto do ponto de vista intelectual, como do religioso, estabeleciam uma
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Faculdade de Ciências e Letras – UNESP – Campus de Assis

545 hierarquia entre as raças, colocando o negro africano como inferior, o que tornava, assim, a escravidão como algo natural, fato muito bem observado por __________ em ___________:

"a escravidão até o início do século encontrava-se perfeitamente inserida nas estruturas sociais e econômicas. Entranhadas nos costumes brasileiros, era compreendida como uma prática perfeitamente natura" ( IOKOI, 99) (AUTOR,P., ANO)

Desta forma, foi construída uma visão estereotipada do negro, além de uma série de mecanismos e políticas de exclusão de descendentes de africanos na sociedade brasileira, o que percebemos ainda hoje, já que a construção desta idéia de superioridade da raça branca atinge diretamente auto-estima da população negra, que além de carregar estes estereótipos, sofre com os reflexos de umaabolição incompleta, que liberta o povo negro da escravidão, mas, contraditoriamente, o aprisiona, já que o obriga a viver às margens da sociedade. Isto é melhor compreendido quando consideramos que na condição de escravo, o negro desempenhava, na maioria das vezes, os serviços braçais, e, após a libertação, o pensamento escravista não é capaz de realizar a transferência do negro do campo de...
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